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23/10/2009

Encerramento da Delphi: Trabalhadores recusam-se a aceitar reduções nos salários

Decisão final sobre o futuro da fábrica de Ponte de Sor deverá ser anunciada pela administração durante a próxima semana

Os trabalhadores da Delphi de Ponte de Sor recusam-se a aceitar qualquer proposta para reduzir salários ou cortar garantias, como sugeriu ontem a administração da empresa, numa reunião com as estruturas sindicais. Para hoje está agendado um plenário de trabalhadores. A fábrica está totalmente paralisada há vários dias.

"Um cenário que não garanta todos os postos de trabalho a longo prazo e que passe pela redução das condições de trabalho e dos salários não tem viabilidade. Se estão a pensar nisso, tirem o cavalinho da chuva, pois não é viável", diz ao DN o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro, Sul e Ilhas, Delfim Mendes.

Em aberto mantém-se a hipótese de encerramento, até final do ano, da fábrica alentejana, que dá emprego a cerca de 440 operários, tendo sido assinado em Outubro de 2008 um acordo de despedimento colectivo que prevê o pagamento de uma indemnização de 2,3 salários por cada ano de trabalho. "O encerramento é o cenário que está em cima da mesa. É isso que os trabalhadores têm como certo", diz Delfim Mendes.

No início do mês, a Delphi Internacional saiu do processo de insolvência em que se encontrava desde 2005, tendo sido adquirida por duas instituições financeiras norte-americanas. Os novos donos anunciaram o despedimento de 500 trabalhadores na Guarda (ver texto ao lado) e convocaram as estruturas sindicais para uma reunião, em Lisboa, em que foi debatido o futuro da fábrica de Ponte de Sor.

Não afastando o cenário de encerramento, a administração está a estudar a hipótese de continuar a laborar noutras actividades não especificadas, no pressuposto de que os trabalhadores "aceitariam reduzir as remunerações".

Delfim Mendes diz que, para além do corte nos salários, poderiam estar em causa a flexibilização dos horários de trabalho ou o fim dos seguros de saúde. "Não houve concretização de qualquer proposta. Penso que quiseram testar a reacção dos trabalhadores", refere o dirigente sindical.

D.N. - 23.10.09

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