À procura de textos e pretextos, e dos seus contextos.

07/09/2009

Malveira/Mafra/Ericeira - Utentes indignados com aumento do preço das portagens na A21

Preços aumentaram, em alguns casos, cerca de 300%, com algumas viagens a passare de 1,20 para 4,20 euros.

Os utentes da auto-estrada A21 (Malveira/Mafra/Ericeira) estão indignados com o aumento do preço das portagens para mais do triplo, após a concretização do acordo de transferência da via da autarquia para o Estado, como estava previsto desde a construção.

"Antes pagava ida e volta 1,20 euros e agora passo a pagar 4,20, o que penaliza bastante porque as despesas disparam no fim do mês", disse indignada à Agência Lusa, Conceição Silva, que diariamente percorre a A21, saindo da Ericeira para ir trabalhar para Mem Martins.

"É inconcebível, por isso vou voltar a sair de casa mais cedo e ir pela estrada nacional", acrescentou.

Com várias viaturas a circular frequentemente na A21, também o empresário da construção civil, Vítor Simões, pondera deixar de utilizar a via.

"O aumento de 60 cêntimos para 2,10 prejudica muito quem percorre esta via todos os dias, temos de fugir o mais possível da auto-estrada", afirmou.

Tatiana Guimarães, a estudante em Lisboa a residir na Ericeira, prepara-se este ano lectivo deixar de percorrer diariamente toda a auto-estrada para entrar na A8, na Venda do Pinheiro.

"Tenho estado a pensar e ou vou de autocarro, ou entro só em Mafra Este ou alugo uma casa em Lisboa porque compensa", referiu.

Os utentes queixam-se ainda de não terem sido informados previamente da entrada em vigor dos novos preços, apesar de a empresa Mafratlântico ter dado conta das alterações impostas através de edital.

Os novos preços das portagens entraram em vigor dia 3, na sequência da assinatura do acordo de transferência da auto-estrada da Câmara de Mafra, responsável pela sua construção, para a Estradas de Portugal (EP).

Apesar de o processo não estar concluído, o acordo possibilita à Mafratlântico, que vai manter-se como concessionária da via até ser lançado pela EP concurso público para nova concessão, integrar a A21 na rede nacional de auto-estradas.

Como consequência, passou a ter montado o sistema informático que permite saber gerir a entrada e saída de utentes na auto-estrada A8.

O Ministério das Obras Públicas esclareceu hoje que o aumento de portagens foi decidido pela Câmara de Mafra, ainda responsável pela concessão da auto-estrada.

A nova tabela em vigor fixou em 2,10 euros o valor da portagem para veículos ligeiros (classe 1), contra os 60 cêntimos até aqui aplicados.

Na classe 2, a portagem passou de um para 3,75 euros, na classe 3 de 1,30 para 4,75 euros e na classe 4 de 1,40 para 5,15 euros.

O aumento das portagens está a ser contestado pelos utentes, que domingo realizaram uma manifestação de protesto.

J.N. - 07.09.09

Quelques processus d'élaboration de concepts sur le Maghreb dans les sciences sociales (Julien, Bourdieu et Tillion)

Smaïl Djaoud

L’élaboration des notions scientifiques dans les textes de sciences sociales suit des processus beaucoup plus complexes que ceux que requiert la simple définition préalable des outils théoriques utilisés. Nous proposons d’apprécier cette complexité en suivant quelques parcours de constitution de concepts chez Charles-André Julien (histoire), Pierre Bourdieu (sociologie) et Germaine Tillion (ethnologie). On tentera, au-delà de l’appréciation statistique, de caractériser les contenus engagés, leur spécificité, et les enjeux qu’ils recèlent. La notion de Berbérie, qui a occupé Julien dès le début de son Histoire de l’Afrique du Nord, présente l’intérêt de synthétiser une longue évolution dans le savoir amassé en contexte colonial sur des populations colonisées. Elle se construit curieusement là où on ne l’attend pas : d’abord, en dehors de la discipline, en convoquant des connaissances géographiques, ethnologiques, anthropologiques, géologiques, mais très peu de connaissances historiques ; ensuite, en dehors des espaces textuels habituellement réservés à la discussion théorique, puisqu’elle est consolidée essentiellement dans des descriptions à caractère quasi littéraire ; enfin, elle est en relation de constante référence à des contenus intertextuels, figurant entre autres chez l’historien et géographe Emile-Félix Gautier. L’analyse sémantique, tout en montrant le système d’évaluation sous-tendant cette construction, revient sur sa caractérisation essentiellement négative, faisant apparaître l’existence d’une sorte de concept inversé, paradigmatique. C’est en effet par rapport à ce modèle de comparaison implicite que la Berbérie se trouve constamment située comme écart. Elle pointe enfin les liens qui lient cette notion à son contexte historique du Maghreb colonial. C’est en suivant une démarche inverse que nous avons essayé d’explorer diachroniquement un contenu conceptuel bourdieusien. Au lieu de partir d’un nom lexicalisé et stabilisé, l’enquête s’est appuyée sur une catégorie sémantique, l’opposition du féminin et du masculin, pour chercher ses différentes manifestations conceptuelles depuis la Sociologie de l’Algérie (1958) à La domination masculine (1998). On a pu ainsi mettre en relation des noms qui semblaient désigner des concepts éloignés, comme celui de Nomos et d’Inconscient androcentrique, et esquisser les enjeux théoriques et historiques qui influent sur ces transformations. Enfin, une troisième enquête a permis de souligner la spécificité d’un procédé de construction de notions scientifiques chez Germaine Tillion, qui met en place le concept triptyque de « société sauvage/traditionnelle/moderne » (ethnologie). Il s’agit de l’inversion des contenus, à l’œuvre aussi bien dans caractérisation de chaque type de société, que dans leur illustration au moyen de personnages historiques ou mythiques. - Télécharger le PDF

Smaïl Djaoud (2009) «Quelques processus d'élaboration de concepts sur le Maghreb dans les sciences sociales (Julien, Bourdieu et Tillion)», Texto ! [En ligne], URL : http://www.revue-texto.net/index.php?id=2165.

IMF Gives Honduran Government $175 Million

MARK WEISBROT

The IMF is undergoing an unprecedented expansion of its access to resources, possibly reaching a trillion dollars. This week the European Union committed $175 billion, $67 billion more than even the $108 billion that Washington agreed to fork over after a tense standoff between the U.S. Congress and the Obama administration earlier this summer.

The Fund and its advocates argue that the IMF has changed. The IMF is “back in a new guise,” said the Economist. This time, we are told, it’s really going to act as a multilateral organization that looks out for the countries and people of the world, and not just for Washington, Wall Street, or European banks.

But it’s looking more and more like the same old IMF on steroids. Last week the IMF disbursed $150.1 million to the de facto government of Honduras, and it plans to disburse another $13.8 million on September 9. The de facto government has no legitimacy in the world. It took power on June 28th in a military coup, in which the elected President, Manuel Zelaya, was taken from his home at gunpoint and flown out of the country. The Organization of American States suspended Honduras until democracy is restored, and the United Nations also called for the “immediate and unconditional return” of the elected president.

No country in the world recognizes the coup government of Honduras. From the Western Hemisphere and the European Union, only the United States retains an ambassador there. The World Bank paused lending to Honduras two days after the coup, and the Inter-American Development Bank did the same the next day. More recently the Central American Bank of Economic Integration suspended credit to Honduras. The European Union has suspended over $90 million in aid as well, and is considering further sanctions.

But the IMF has gone ahead and dumped a large amount of money on Honduras – the equivalent would be more than $160 billion in the United States – as though everything is ok there.

This is in keeping with U.S. policy, which is not surprising since the United States has been – since the IMF’s creation in 1944 – the Fund’s principal overseer. Washington has so far made only a symbolic gesture in cutting off about $18.5 million to Honduras, while continuing to pour in tens of millions more.

In fact, more than two months after the Honduran military overthrew the elected president of Honduras, the United States government has yet to determine that a military coup has actually occurred. This is because such a determination would require, under the U.S. Foreign Appropriations Act, a cut off of aid.

One of the largest sources of U.S. aid is the Millennium Challenge Corporation (MCC), a government entity whose board is chaired by U.S. Secretary of State Hillary Clinton.

Interestingly, there were two military coups in the last year in countries that were receiving MCC money: Madagascar and Mauritania. In both of those cases, MCC aid was suspended within three days of the coup.

The IMF’s decision to give money to the Honduran government is reminiscent of its reaction to the 2002 coup that temporarily overthrew President Hugo Chavez of Venezuela. Just a few hours after that coup, the IMF’s spokesperson announced that “we stand ready to assist the new administration in whatever manner they find suitable.” This immediate pledge of support by the IMF to a military-installed government was at the time unprecedented. Given the resources and power of the IMF, it was an important source of international legitimacy for the coup government. Members of the U.S. Congress later wrote to the IMF to inquire how this happened. How did the IMF decide so quickly to support this illegitimate government? The Fund responded that no decision was made, that this was just an off-the-cuff remark by its spokesperson. But this seems very unlikely, and in the video on the IMF’s web site, the spokesperson appears to be reading from a prepared statement when talking about money for the coup government.

In the Honduran case, the IMF would likely say that the current funds are part of a $250 billion package in which all member countries are receiving a share proportional to their IMF quota, regardless of governance. This is true, but it doesn’t resolve the question as to whom the funds should be disbursed to, in the case of a non-recognized, illegitimate government that has seized power by force. The Fund could very easily postpone disbursing this money until some kind of determination could be made, rather than simply acting as though there were no question about the legitimacy of the coup government.

Interestingly, the IMF had no problem cutting off funds under its standby arrangement with the democratically-elected government of President Zelaya in November of last year, when the Fund did not agree with his economic policies.

We’re still a long way from a reformed IMF.

Mark Weisbrot is an economist and co-director of the Center for Economic and Policy Research. He received his Ph.D. in economics from the University of Michigan. He is co-author, with Dean Baker, of Social Security: The Phony Crisis (University of Chicago Press, 2000), and has written numerous research papers on economic policy. He is also president of Just Foreign Policy.

CounterPunch - 07.09.09

Obama's Mistakes in Health Care Reform

VICENTE NAVARRO

Let me start by saying that I have never been a fan of Barack Obama. Early on, I warned many on the left that his slogan, “Yes, we can,” could not be read as a commitment to the major change this country needs (see “Yes, We Can. Can We? The Next Failure of Health Reform”). Still, I actively supported him against John McCain and was very pleased when he became president – for many reasons, encompassing a broad range of feelings. One reason was that Obama is African-American, and the country needed to have a black president. Another was that his election seemed to signal the end of the Bush era. But, the most important reason was that I saw him as a decent man, surrounded by some good people who could promote change from the center and open up some possibilities for progress, giving the left a chance to influence the administration’s policies. Well, after just over seven months of the Obama White House, I have no reason to doubt that he is a decent man, but I am dismayed by the bad judgment he has shown in the choice of some of his staff and advisors. I really doubt that he is going to be able to make the changes we need. As I said, I never had great expectations about him and his policies, but even the lowest of my expectations have not been met.

Some among the many skeptics on the left might add, “What did you expect?” Well, at least I expected Obama to show the same degree of astuteness that he and his team had shown during the campaign. He seemed to be a brilliant strategist, and his election proves this. But my greatest disappointment is the strategies he is now following in his proposals for health care reform – they could not be worse. I am really concerned that the fiasco of this reform may make Obama a one-term president.

Error number One

One of the two major objectives for health care reform, as emphasized by Obama, is the need to reduce medical care costs. The notion that “the economy cannot afford a medical care system so costly, with the annual increases of medical care running wild” has been repeated over and over – only the tone varies, depending on the audience. An element of this argument is Obama’s emphasis on eliminating the federal deficit. He stresses that most of the government deficit is due to the outrageous growth in costs in federal health programs. Thus, a crucial part of the message he is transmitting is the health care reform objective of reducing costs.

This message, as it reaches the average citizen, seems like a threat to achieve cost reductions by cutting existing benefits. This perception is particularly accentuated among elderly people – which is not unreasonable, given that the president indicates that the funds needed to provide health benefits coverage to the 48 million currently uncovered will come partially from existing programs, such as Medicare, with savings supposedly achieved by increasing efficiency. To the average citizen (who has developed an enormous skepticism about the political process), this call for savings by increasing efficiency sounds like a code for cutting benefits. Not surprisingly, then, one sector of the population most skeptical about health care reform is seniors – the beneficiaries of Medicare. The comment that “government should keep its hands off my Medicare,” as heard at some of the town hall meetings, is not as paradoxical or ridiculous as the liberal media paint it. It makes a lot of sense. An increasing number of elderly people feel that the uninsured are going to be insured at the expense of seniors’ benefits.

Error Number Two

The second major objective of health care reform as presented by Obama is to provide health benefits coverage for the uncovered: the 48 million people who don’t have any form of health benefits coverage. This is an important and urgently needed intervention. The U.S. cannot claim to be a civilized nation and a defender of human rights around the world unless this major human and moral problem at home is resolved once and for all. But, however important, this is not the largest problem we have in the health care sector. The most widespread problem is not being uninsured but underinsured: the majority of people in the U.S. – 168 million, to be precise – are underinsured. And many (32 per cent) are not even aware of this until they need their health insurance coverage. This undercoverage is an enormous human, social, and economic problem. Among people who are terminally ill, 42 per cent worry about how they or their family will pay for medical care. And most of these people are insured – but their insurance does not cover all of their conditions and necessary interventions. Co-payments, deductibles, and other extra expenses – besides the insurance premiums – can amount to 10 per cent or even higher proportion of disposable income.

During the presidential campaign, both Obama and Hillary Clinton, in discussing the need for health care reform, made frequent reference to heart-breaking stories – cases in which families and individuals suffer under our current system of medical care. But none of the proposals that the Obama administration is ready to support would address most of these cases. It will be an embarrassing and uncomfortable moment during the 2012 presidential campaign if someone asks candidate Obama about what has happened to some of the people whose stories he told in the 2008 campaign.

Error Number Three

Obama plans to cover the uninsured by increasing taxes on the rich (a very popular measure, as shown in all polls) and by transferring funds saved through increased efficiencies in existing programs, including Medicare (an unpopular measure, for the reasons I’ve mentioned). We see here the same problems we’ve seen with other programs targeted to specific, small sectors of the population, such as the poor. Programs that are not universal (i.e., do not benefit everyone) are intrinsically unpopular. This is why antipoverty programs are unpopular. People feel that they are paying, through taxation, for programs that do not benefit them. Compassion is not, and never has been, a successful motivation for public policy. Solidarity is. You support others with the understanding that they will support you when you need it most. The long history of social policy, in the U.S. and elsewhere, shows that universality is a better way to get popular support for a program than means-testing for programs targeted to specific vulnerable groups. The limited popularity of the welfare state in the U.S. is precisely due to the fact that most programs are not universal but means-tested. The history of social policy shows that the best way to resolve poverty is not by developing antipoverty programs, but by developing universal programs to which all people are entitled – for example, job and incomes programs. In the same way, the problem of noncoverage by health insurance will not be resolved without resolving the problem of undercoverage, because both result from the same failing: the absence of government power to ensure universal rights. There is no health care system in the world (including the fashionable Swiss model) that provides universal health benefits coverage without the government intervening, using its muscle to control prices and practices. The various proposals being put forward by the Obama administration are simply tinkering with, not resolving, the problem. You can call this government role “single-payer” or whatever, but our experience in the U.S. has already shown (what other countries have known and practiced for decades) that without government intervention, all the measures now being proposed by this administration will be handsome bailouts for the medical-insurance-pharmaceutical complex.

Error Number Four

I can understand that Obama does not want to advocate single-payer. But he has made a huge tactical mistake in excluding it as an option for study and consideration. He needs single-payer to be among the options under discussion. And he needs single-payer to make his own proposal “respectable.” (Keep in mind how Martin Luther King became the civil rights figure promoted by the establishment because, in the background, there was a Malcolm X threatening the establishment.) This was a major mistake made by Bill Clinton in 1993. When Clinton gave up on single-payer, his own proposal became the “left” proposal (unbelievable as that may seem) and was dead on arrival in Congress. The historical function of the left in this country has been to make the center “respectable.” If there is no left alternative, the Obama proposals will become the “left” proposal, and this will severely limit whatever reform he will finally be able to get.

But there’s another reason that Obama has erred in excluding single-payer. He has antagonized the left of his own party that supports single-payer, without which he cannot be reelected in 2012. He cannot win only with the left, of course, but he certainly cannot win without the mobilization of the left. His victory in 2008 is evidence of this. And today, the left is angry at him. It is a surprise to me, but Obama is going to pay the same price Clinton paid in 1994. Clinton antagonized the left by putting deficit reduction (under pressure from Wall Street) at the top of his policies and supporting NAFTA against the wishes of the AFL-CIO and the majority of Democrats. The Gingrich Republican Revolution of 1994 was due to a demobilization of the left. The Republicans got the same (I repeat the same) number of votes in the 1994 congressional election that they got in 1990 (the previous non-presidential election year). Large sectors of the grassroots of the Democratic Party that voted Democratic in 1990 stayed home in 1994. Something similar could happen in 2010 and in 2012. We could see a strong mobilization of the right and a very demoralized left. We are already seeing this. Why aren’t those on the left out in force at the town hall meetings on health care reform? Because the option they want – single-payer – has already been excluded from the debate by a president they fought to get elected.

This is my concern. The alternative to Obama is Sarah Palin or someone like her. Palin has a lot of support among the people who mobilized to support John McCain. And the ridicule heaped on her by the liberal media (which is despised by large sectors of the working class of this country) helps her, or her like, enormously. I am afraid we may have, in the near future, friendly fascism. And I do not use the term lightly. I grew up under fascism, in Franco’s Spain, and if nothing else, I recognize fascism when I see it. And we are seeing a growing fascism with a working-class base in the U.S. This is why we cannot afford to see Obama fail. But his staff and advisors are doing a remarkable job to achieve this. Ideologues such as chief-of-staff Rahm Emanuel (who, when a congressman, was the most highly funded by Wall Street) and his brother, Ezekiel Emanuel (who did indeed write that old people should have a lower priority for health care spending) are leading the country along a wrong path.

I don’t doubt that President Obama, a decent man, wants to provide universal health care to all citizens of this country. But his judgment in developing his strategy to reach that goal is profoundly flawed, and, as mentioned above, it may cost him the presidency – an outcome that would be extremely negative for the country. He should have called for a major mobilization against the medical-industrial complex, to ensure that everyone has the same benefits that their representatives in Congress have, broadening and improving Medicare for all. The emphasis of his strategy should have been on improving health benefits coverage for everyone, including those who are currently uncovered. And to achieve this goal – which the majority of the population supports – he should have stressed the need for government to ensure that this extension of benefits to everyone will occur.

That he has not chosen this strategy touches on the essence of U.S. democracy. The enormous power of the insurance and pharmaceutical industries corrupts the nature of our democracy and shapes the frontiers of what is possible in the U.S. Given this reality, it seems to me that the role of the left is to initiate a program of social political agitation and rebellion (I applaud the health professionals who disrupted the meetings of the Senate Finance Committee), following the tactics of the Civil Rights and anti-Vietnam War movements of the 1960s and 1970s. It is wrong to expect and hope that the Obama administration will change. Without pressure and agitation, not much will be done.

CounterPunch - 07.09.09

Zeca Afonso evocado na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra

Fenprof promove acções de sensibilização por todo o país

Real Cerâmica de Coimbra fecha portas levando 80 trabalhadores para o desemprego

Produtores de leite em vigília no Porto

Rohde: Trabalhadores estão revoltados

Trabalhadores da administração local marcam greve em período de campanha

Os trabalhadores da administração local, afectos à CGTP, vão fazer greve, no próximo dia 16 de Setembro, ou seja, em pleno período de campanha eleitoral. À TSF, o sindicalista Manuel Mendes garantiu que a data não foi escolhida devido à campanha.

Os trabalhadores da administração local afectos à CGTP, convocaram uma paralisação nacional para a próxima quarta-feira, dia 16 de Setembro.

Manuel Mendes, do Sindicato dos trabalhadores da Administração Local (STAL), revelou em declarações à TSF que a data escolhida não teve qualquer relação com a campanha eleitoral.

«Em Julho decidimos avançar para uma jornada de luta e a gravidade da situação é de tal ordem, que não nos restou alternativa se não colocar como arma na mão dos trabalhadores, a greve», esclareceu Manuel Mendes.

O sindicalista avançou que os motivos da greve estão associados à precariedade e à mobilidade especial dos trabalhadores da administração local.

Manuel Mendes acusou ainda a UGT de traição aos trabalhadores, afirmando que aquele sindicato «tem servido de muleta do Governo».

TSF - 07.09.09

L’actualité de la crise: Une régulation bancaire en retard d’une crise

François Leclerc

Une sérieuse et significative passe d’arme entre Américains et Européens a bien eu lieu à Londres, lors de la réunion des ministres des finances des 20, à la suite de ce qui a été une sorte de tentative de putsch menée par Tim Geithner. Elle a porté sur une mesure considérée comme clé de la future régulation financière : le niveau de fonds propres (plus exactement ce que l’on appelle le « tier one ») requit pour les banques. Quel enjeu cachait cette question technique ?

Deux conceptions se sont trouvées en présence dans les discussions : celle de Tim Geithner, qui proposait impromptu que soit mise en place pour la fin de 2012 une règle imposant un niveau de fonds propres supérieur à celui qui est défini par les règles de « Bâle II »; celle des Européens, qui souhaitaient comprendre en quoi ces règles n’étaient pas suffisantes, considéraient qu’il était temps pour les Etats-Unis de les mettre en application, ce qu’ils n’ont toujours pas fait depuis 2003, et le faisaient savoir. Les banques Européennes estimant qu’une distorsion de concurrence en résultait en leur défaveur, puisqu’elles les appliquaient.

En fait, il semblerait y avoir derrière ce refus une autre douloureuse réalité de dissimulée. Les banques Européennes pourraient être en plus grande position de faiblesse que les américaines pour une autre raison: un plus important manque de fonds propres qu’elles masqueraient ayant appris à ruser avec les finesses des règles de « Bâle II », après avoir bataillé pendant des années afin d’en retarder la mise au point puis l’application. Les estimations données en avril dernier par le FMI, selon lequel les banques Européennes n’avaient pas parcouru le même chemin que leurs consoeurs américaines, et devraient encore procéder à des apports de fonds pour un montant global estimé de 600 milliards de dollars avaient d’ailleurs suscité à l’époque de vives réactions immédiates de Christine Lagarde et de Jean-Claude Trichet, un peu comme s’ils étaient touchés.

La question n’a plus été soulevée depuis, et il est raisonnable de penser que les « stress test » Européens ne vont pas apporter de grandes révélations à cet égard : ils sont fait pour dire que tout va bien, comme l’ont été ceux des américains. Quoiqu’il en soit, si cette analyse se révélait exacte, elle ferait aussi de Tim Geithner, sans que cela soit particulièrement étonnant, le représentant des intérêts des méga banques américaines, qui pourraient moins redouter que leurs consoeurs Européennes de fortes obligation de fonds propres (ayant réussi grâce aux résultats des stress tests américains à lever des capitaux) et voir d’un bon œil ces dernières en difficulté. Tout dépendrait des modalités du calcul du ratio. Les deux parties auraient donc pêché, chacune à sa manière. Les uns n’ont pas appliqué les règles de « Bâle II », les autres ont appris à les contourner ! Ce qui dans, ce dernier cas, expliquerait que Tim Geithner demande un durcissement des caractéristiques du « tier one ».

La réunion s’est terminée après que trois points pouvant être présentés comme un accord aient été dégagés: les banques devront, la crise passée, lever plus de capitaux; elles devront préparer des « testaments » en cas de problèmes (leur propre mode d’emploi en cas de crise); elles devront à l’occasion de leurs opérations de titrisation conserver une partie des crédits qui en sont l’objet. Enfin, il leur a été implicitement demandé de limiter le versement de dividendes aux actionnaires, au profit de l’augmentation de leur capital, ce qui favoriserait le développement du crédit. L’avenir dira ce qu’il en résultera pratiquement.

Cette bagarre éclaire sous un nouveau jour l’offensive menée lors de cette même réunion de Londres sur un terrain considéré comme sensible pour les Américains, celui des bonus. Comme s’il avait correspondu à une sorte de contre-feu des Européens. Revenant en façade à un affrontement entre deux conceptions, en réalité aussi peu opératoires l’une que l’autre, de la future régulation financière mondiale. Nous amenant à être les spectateurs navrés d’attitudes de peu d’envergure. Le propos étant moins, de notre point de vue, de décrypter cet affrontement que de s’affliger de l’importance qu’il a pris au détriment de questions autrement plus importantes, de l’état d’esprit qu’il suppose chez ceux qui y ont participé.

Hasard du calendrier ou sens aigu de l’opportunité ? Un accord entre 27 gouverneurs de banques centrales vient d’être rendu public ce dimanche, afin de mettre sur les rails « Bâle II » dans sa nouvelle version révisée de juillet dernier, dont les mesures à propos du renforcement du capital des banques devraient permettre de « réduire de manière substantielle la possibilité et l’ampleur des tensions économiques et financières », selon le communiqué de la Banque des Règlements internationaux (BRI). A un jour près presque, il aurait pu alimenter le débat des ministres des finances des 20, ce qui témoigne de l’absence de coordination, pourtant hautement revendiquée.

Selon ce communiqué, les organismes nationaux de supervision devront s’assurer que les rémunérations ou les bonus des banquiers seront « en ligne avec les performances à long terme et avec un comportement prudent en matière de prise de risques », tandis que les exigences en matière de capitaux « tier one » devront être renforcées. Egalement, « les banques se verront demander d’agir promptement pour relever le niveau et la qualité de leur capital à hauteur des nouvelles règles, mais de manière à promouvoir la stabilité des systèmes bancaires nationaux et de l’ensemble de l’économie ». Il a été enfin décidé d’instaurer le principe d’un capital tampon « contre-cyclique » permanent, afin de pouvoir être utilisé en période de crise financière.

Cet ensemble de mesures sera précisé d’ici à la fin de l’année, puis affiné durant l’année 2010, avant d’être appliqué de façon « à ne pas compromettre la reprise de l’économie réelle ». Cette dernière phrase obscure ouvrant beaucoup de portes à des exceptions qui devront bien entendu confirmer la règle.

Certes, tout cela ne pourra pas faire de mal, tout du moins quand cela sera détaillé et appliqué par tous, y compris aux Etats-Unis. Mais est-ce que cela pourra faire du bien, c’est à dire nous prémunir d’une suivante ? En réalité, il en faudrait bien plus dans bien d’autres domaines financiers. Et l’on restera fondé à remarquer que la mesure du risque devrait être au centre de toute problématique de régulation (il serait encore mieux d’empêcher en amont la possibilité d’en prendre sans mesure, et même sans s’en rendre compte), avant de parler du remède aux effets incertains que représenteraient de plus importants fonds propres pour les banques. Car, lorsque les dépréciations des actifs « iliquides » exigées par l’éclatement d’une bulle financière telle que celle que nous connaissons sont effectivement passées, les fonds propres, même tels que leur niveau devrait être désormais requit, ont toutes les chances de ne toujours pas être à la hauteur de la situation. Mais cette mesure est-elle possible, malgré tous les efforts entrepris ? On peut en douter, d’où le problème.

La crise actuelle enseigne déjà que les mesures qui sont en discussion seront de portée limitée. Faudra-t-il attendre « Bâle III » pour que ses leçons soient totalement prises en considération ? Il y a sans doute un parallèle à faire entre le domaine de la régulation financière et celui de la détection du dopage des sportifs. C’est en permanence une course de vitesse entre ceux qui innovent et ceux qui détectent, mais ce sont ceux qui innovent qui ont l’initiative et roulent en tête. Le rythme de travail du Comité de Bâle, chargé de mettre au point les directives du même nom (la ville est aussi le siège de la Banque des règlements internationaux) ne correspondant pas précisément à une course de vitesse, comme l’expérience l’a montré.

Blog de Paul Jorion - 07.09.09

Queda da indústria agravou-se em Julho

A quebra do volume de negócios da indústria agravou-se em Julho, apresentando uma queda de 20,7 por cento face a Julho de 2008, quando em Junho a queda homóloga tinha sido de 18,3 por cento.

O emprego, as remunerações e as horas trabalhadas em Julho também apresentaram diminuições face a um ano antes, de respectivamente 6,8, 5,8 e 7,4 por cento, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O agravamento da queda do volume de negócios da indústria em Julho resultou da quebra das vendas no país (-17,8%) e, de forma mais acentuada, no estrangeiro, com uma queda homóloga de 25,5 por cento. Em Junho, as quebras homólogas destas componentes eram de respectivamente

O volume de negócios da indústria tem quebras homólogas mensais desde Outubro, que desceram até -25,7 em Fevereiro, tendo desde então oscilado em valores que não andam muito longe dos 20 por cento. A média dos últimos 12 meses (indicador menos susceptível a variações momentâneas) estava em -14,5 por cento em Julho, quando em Junho era de -11,7 por cento.

Em Julho todos os grandes componentes da indústria tiveram quedas homólogas (face ao mesmo período do ano anterior), com particular destaques para a energia e os bens intermédios, com quebras de -38,2 e -29,3 por cento.

Público.pt - 07.09.09

Primeira calceteira de Loures vive na miséria

Foi a primeira mulher do concelho de Loures a desempenhar uma tarefa em que os homens predominam. Agora, aos 36 anos, Maria Antónia Mendes está desempregada e precisa da ajuda do Banco Alimentar para ter comida na mesa.

Dois mil e oito foi um ano terrível para Maria Antónia. Ficou no desemprego e, em Fevereiro desse ano, viu as cheias que assolaram a Grande Lisboa invadirem a pobre casa onde morava, em Ponte de Frielas, destruindo quase todo o recheio.

As condições da habitação eram tão más que o Tribunal de Menores ordenou que os filhos do casal, com 14 e 17 anos de idade, fossem retirados à guarda dos pais.

Agora, Maria Antónia regressou à sua terra de origem, Fanhões, e é o magro vencimento de 550 euros do companheiro que ajuda a suportar os 300 euros de renda da casa. A solidariedade da senhoria também tem sido preciosa. "Já cheguei a dever quatro meses mas ela disse-me que nunca me ia deixar na rua", diz Maria Antónia.

Por falta de pagamento, a desempregada tem a água cortada. E ainda há outras despesas difíceis de suportar, como a renda da casa e a comida, que, em parte, vem do Banco Alimentar Contra a Fome.

A balança entre os muitos gastos e os parcos rendimentos ainda fica mais desequilibrada devido às despesas de saúde da filha, de 17 anos, que sofre de problemas renais, tendo já retirado um rim por causa de um tumor. "Recebo um subsídio de 150 euros por causa da saúde da minha filha, mas ela tem de pagar as consultas e o resto. Só no hospital temos cento e tal euros para pagar e na farmácia também", queixa-se Maria Antónia.

Devido aos problemas de saúde, a jovem também está desempregada, depois de ter sido despedida "por causa de ter de faltar muito". As dificuldades da família estendem-se até ao filho mais novo que, aos 14 anos, "nem o nome sabe escrever e não quer estudar, só pensa em trabalhar", diz Maria Antónia.

Apesar de nunca ter sido fácil, a vida de Maria Antónia já passou por dias mais sorridentes. Por volta dos 18 anos, começou a dar serventia aos calceteiros e apaixonou-se logo pelo ofício. "Quando apanhava o meu ex-marido distraído ia lá e começava a pôr calçada. Quando ele vinha, dizia-me que este trabalho era para os homens", conta.

Ignorando a pressão de ser mulher numa profissão tradicionalmente masculina, a natural de Fanhões - terra com uma grande tradição na colocação de calçada - não desistiu do ofício e tornou-se, segundo ela, a primeira calceteira do concelho de Loures.

Quase sempre a trabalhar por conta própria, Maria Antónia fez trabalho para juntas de freguesia, câmaras municipais e particulares. Entre os seus trabalhos esteve a colocação de calçada nalgumas estações do Metro Sul do Tejo, como Laranjeiro, Corroios e Monte da Caparica.

Porém, o trabalho foi escasseando e Maria Antónia acabou por se juntar aos mais de sete mil inscritos no centro de emprego em Loures. Por estes dias, vai aproveitando os pequenos trabalhos que aparecem esporadicamente, seja a colocar calçada, a fazer limpezas, a passar a ferro para fora ou a tomar conta de pessoas.

"Agora aceito seja o que for, mas adorava continuar na calçada, que é o que gosto de fazer", remata.

J.N. 07.09.09

Projecto impulsionado pelo Governo falhou: Qimonda Solar na falência após anúncio da salvação

A Itarion Solar, mais conhecida por Qimonda Solar, entrou com o processo de insolvência no Tribunal de Vila Nova de Gaia, depois de falhado o acordo com um dos accionistas, fundamental para levar adiante o projecto de salvação negociado pelo Governo e anunciado dois meses antes da falência. Um projecto mais pequeno de que se falou depois também não avançou.

A apresentação do pedido de insolvência da Qimonda Solar, empresa distinta da Qimonda Portugal, é hoje noticiada pelo ‘Público’. Carla Santos, administradora de insolvência nomeada para este caso, adiantou a este jornal que o processo está no início e não recebeu qualquer contacto de empresas interessadas em salvar a Itarion Solar, mas também não adianta se ainda é possível salvar o projecto.

A Itarion Solar, ou Qimonda Solar, é detida em 51% pela Qimonda AG, também proprietária da Qimonda Portugal, ambas em falência, e em 49% pela alemã Centrosolar. O projecto anunciado pelo Governo previa a compra da parte da Qimonda AG por parte de um consórcio liderado pela EDP, com capitais de risco públicos e várias outras empresas, como DST, Visabeira, Inovcapital, BPA, BES e BCP, diz o jornal.

O projecto previa a produção de células fotovoltaicas e a criação de 400 postos de trabalho. Previa o investimento de 150 milhões de euros e já tinha em construção um edifício nos terrenos da Qimonda Portugal.

O falhanço deste projecto levou ao anúncio de que seria implementado um mais pequeno, com 200 trabalhadores, para produzirem células fotovoltaicas, mas a ideia não avançou.

O última possibilidade avançada mantém a falência da Qimonda Solar, mas poderá permitir aproveitar parte dos trabalhadores da Qimonda Solar, aproveitando as suas instalações. Ainda segundo o ‘Público’, trata-se do interesse da Cabelte, que pretende produzir cabos de muito alta tensão e de fibra óptica, mas garantindo antes o envolvimento da EDP e a REN para ter um mercado preferencial de saída da produção.

D.N. - 07.09.09

C (de Crisis)

Eric Hobsbawm

Existe una diferencia fundamental entre las tradicionales preguntas académicas sobre el pasado -“¿Qué ocurrió en la historia, cuándo y por qué?”- y la cuestión que en los últimos cuarenta años ha animado un cuerpo creciente de investigación histórica, concretamente, “¿Cómo lo siente o sentía la gente?” Las primeras sociedades para la investigación de la historia oral fueron fundadas a finales de los sesenta. Desde entonces el número de instituciones y obras dedicadas al “legado” y a la memoria histórica -especialmente sobre las guerras del siglo XX- han crecido de manera espectacular. Los estudios sobre la memoria histórica no son, esencialmente, estudios sobre el pasado, sino sobre la retrospectiva hacia el mismo desde algún tipo de presente posterior. The Morbid Age: Britain between the Wars, de Richard Overy, muestra otro acercamiento, más indirecto, a la textura emocional del pasado: la compleja arqueología de las reacciones populares contemporáneas sobre lo que estuvo sucediendo en y alrededor de sus vidas, lo que uno llamaría la música ambiental de la historia.

Aunque este tipo de investigación resulta fascinante, especialmente cuando se realiza con la curiosidad y sorprendente erudición de Overy, presenta al historiador problemas considerables. ¿Qué significa describir una emoción como característica de un país o de una época? ¿Cuál es el significado de una emoción generalizada, incluso de una directamente relacionada con hechos históricos dramáticos? ¿Cómo y hasta qué punto podemos medir su predominio? Las encuestas, el mecanismo actual para estas mediciones, no estuvieron disponibles antes de 1938 aproximadamente. En aquellos casos, tales emociones -el rechazo ampliamente extendido hacia los judíos en Occidente, por ejemplo- no eran obviamente sentidas ni generaban las mismas reacciones en, pongamos por caso, Adolf Hitler y Virginia Woolf. Las emociones en la historia no son ni cronológicamente estables ni socialmente homogéneas, incluso en los momentos en que son universalmente sentidas, como en el Londres bajo los ataques aéreos alemanes, y sus interpretaciones intelectuales todavía menos. ¿Cómo pueden compararse o contrastarse? En pocas palabras, ¿qué pueden hacer los historiadores en este nuevo campo?

El sentimiento en concreto que Overy estudia es el de crisis y miedo, “el presentimiento de un desastre inminente”, la posibilidad del fin de la civilización que, desde su punto de vista, caracterizó al Reino Unido de entreguerras. No hay nada específicamente británico o propio del siglo XX en ese sentimiento. Es más, en el último milenio sería difícil señalar una época, al menos en el mundo cristiano, donde este sentimiento no haya encontrado una expresión significativa, a menudo en el idioma apocalíptico construido para ese mismo objetivo y explorado en las obras de Norman Cohn. (Aldous Huxley, citado por Overy, ve la “mano de Belial guiando” la historia moderna.). Hay buenas razones en la historia europea por las cuales que “nosotros” -se cual sea su definición- nos sintamos bajo la amenaza de enemigos extranjeros o nuestros demonios interiores no sea algo excepcional.

La obra pionera de este género, la historia del miedo en Europa occidental del siglo XIV al XVIII de Jean Delumeau, Le Peur en Occident (1978), describe y analiza una civilización “enferma hasta la médula” con un “paisaje de miedo” poblado de “fantasías mórbidas”, peligros y miedos escatológicos. El problema de Overy es que, a diferencia de Delumeau, no ve estos miedos como reacciones a experiencias y peligros reales, al menos en el Reino Unido, donde, por consenso general, ni la política ni la sociedad se habían desplomado, y la civilización no se encontraba en crisis durante el período de entreguerras. ¿Por qué, entonces, es un “período famoso por su población de Casandras y Jeremías que ayudaron a construir la imagen popular de los años de entreguerras como una época de ansiedad, dudas o miedo”?

Con saber, lucidez e ingenio, de manera notable en su brillante selección de citas, The Morbid Age desentraña las diferentes tendencias de expectativas catastróficas -la muerte del capitalismo, los miedos a un declive demográfico y corrupción, “el psicoanálisis y la consternación social”, el miedo a una guerra- principalmente a través de escritos públicos y privados de a quienes Delumeau, que hizo lo mismo en su respectivo período de estudio, llamó “los que tenían la palabra y el poder”: en su día los clérigos intelectuales, en los de Overy una selección de intelectuales burgueses y miembros representativos de la clase política. Los intentos por escapar de los desastres anticipados por el pacifismo y lo que el autor denomina “política utópica” son vistos sobre todo como un cuadro sintomático de una epidemia de pesimismo.

Concédasenos por un momento que Overy está en lo cierto en cuanto al pesimismo de quienes “tenían la palabra y el poder”, a pesar de algunas obvias excepciones, como los investigadores que conocían, con Ernest Rutherford, que estaban viviendo en los días gloriosos de las ciencias naturales; los ingenierons que no veían límites en el futuro progreso de las viejas y nuevas tecnologías; los oficiales y empresarios de un imperio que había alcanzado su máxima extensión en el período de entreguerras y que se veía aún bajo control (excepto por el estado libre irlandés); los escritores y lectores del género de entreguerras por antonomasia, la novela de detectives, que celebraban un mundo de certezas morales y sociales, de estabilidad restaurada después de una interrupción temporal. La pregunta, obviamente, es ¿hasta qué punto las opiniones de la minoría articulada presentada por Overy representaron o influenciaron a los aproximadamente 30 millones de votantes que constituían los súbditos del rey en 1931?

En la Europa tardomedieval y de la primera modernidad de Delumeau, la pregunta podía responderse con alguna confianza. En el Occidente cristiano de este período había vínculos orgánicos entre el pensamiento de los sacerdotes y predicadores y lo que los creyentes practicaban, aunque podamos verlos como incongruentes. El clero católico romano tenía tanto autoridad intelectual como práctica. ¿Pero qué influencia o efectos prácticos tuvieron en el período de entreguerras las palabras -por citar solamente a algunos de los escritores que tienen más de dos líneas en el índice de Overy- de la Sociedad Eugénica de Charles Blacker, de Vera Brittain Vera Brittain, Cyril Burt, G.D.H Cole, Leonard Darwin, G. Lowes Dickinson, E.M. Forster, Edward Glover, J.A. Hobson, Aldous y Julian Huxley, Storm Jameson, Ernest Jones, Sir Arthur Keith, Maynard Keynes, el arzobispo Cosmo Lang, Basil Liddell Hart, Bronislaw Malinowski, Gilbert Murray, Philip Noel-Baker, George Orwell, Lord Arthur Ponsonby, Bertrand Russell, George Bernard Shaw, Arnold Toynbee, los Webbs, H.G. Wells o Leonard y Virginia Woolf?

A menos que estuviesen respaldados por una editorial o periódico de importancia, como lo estuvieron Victor Gollancz o el New Stateman en el caso de Kingsley Amis, o por una organización de masas como la Liga de las Naciones Unidas Lord Robert Cecil o la Peace Pledge Union del pacifista Canon Sheppard, todos ellos tenían la palabra, pero poco más. Como cuando en el siglo XIX habían tenido una buena oportunidad de hablar sobre ello e influir en la política y la administración desde el enclaustramiento de una élite establecida, perteneciendo a ella por origen o siendo reconocidos por ella, especialmente si pertenecían a las redes de la “aristocracia intelectual” de Noel Annan, como muchos de estos pregoneros del juicio final. ¿Pero hasta qué punto sus ideas modelaron a la “opinión pública” que estaba más allá del alcance de los escritores y lectores de las cartas al editor del Times y del New Statesman?

Hay muy pocas pruebas en la cultura y el modo de vida de las clases trabajadores y de las clases medias-bajas del período de entreguerras -que este libro no investiga- de que la tuvieran. Gracie Fields, George Formby y Bud Flanagan no vivieron esperando que la sociedad se viniera abajo, ni tampoco el teatro del West End. Lejos de mostrar morbosidad, la clase obrera de la juventud Richard Hoggart (y también de la mía) consistía sobre todo de gente que “sentía que no podía hacer gran cosa con las características fundamentales de su situación, pero no lo sentía necesariamente con desesperación o rechazo o resentimiento, sino simplemente como un hecho en sus vidas.” Es cierto, como muestra Overy, que el drástico crecimiento de los medios de comunicación de masas permitió que las “ideas principales” de estos pensadores mórbidos fuesen ampliamente propagadas. Sin embargo, la melancolía intelectual que se desplegaba no era el objeto de las omnipresentes películas o siquiera de los periódicos de circulación masiva, que llegaban a tener una circulación de dos millones de ejemplares o más a principios de los treinta, aunque la BBC radio, prácticamente universalmente disponible a mediados de los 30, concedió al portavoz de la catástrofe una pequeña fracción -uno hubiera deseado que Overy hiciese una estimación- de su cómputo total de horas, que era enorme. No es baladí que el Listener, que reimprimía los debates y charlas radiofónicas, tuviera una circulación de 52.000 ejemplares en 1935, contra los 2'4 millones del Radio Times.

El libro, que experimentó una revolución en la década de los treinta con Penguin y Gollancz, fue prácticamente, sin ninguna duda, la más efectiva forma de difusión intelectual: no sólo para la clase trabajadora para la cual la palabra “libro” aún significaba “revista”, sino también para la vieja clase educada y el rápido y creciente cuerpo de autodidactas políticamente conscientes y con aspiraciones políticas. Incluso entre éstos, como las notas a pie de página de Overy muestran, las circulaciones de más de 50.000 -el orden de la magnitud del Left Book Club lo sitúa por encima del nivel actual para un bestseller- eran poco frecuentes, excepto en los tensos meses de preguerra de 1938-39. Las admirables investigaciones de Overy sobre los registros de los editores muestran que la novela sobre la Depresión de Walter Greenwood, Love on the Dole [Amor en el paro] (“pocos productos culturales de la Depresión llegaron a tanto público”) vendió 46.290 copias entre 1933 y 1940. El potencial de lectura de libros en 1931 (sumando los censos de las categorías de “trabajadores profesionales y semi-profesionales” y “trabajadores de cuello blanco y similares”) fue de cerca de dos millones y medio, de los prácticamente 30 millones de electores británicos.

Es generalmente admitido que “las tesis de algún pensador difunto (o vivo)” (por adaptar la frase de Keynes) no se difunden por estos medios convencionales, sino por una suerte de ósmosis por la que unos pocos conceptos radicales, reducidos y simplificados, como ”la supervivencia de los más aptos”, “capitalismo”, “complejo de inferioridad”, “el inconsciente”, entran de algún modo en el discurso público o privado como monedas de cambio. Incluso con un criterio tan relajado, muchas de las predicciones fatídicas de Overy apenas fueron más allá del círculo de intelectuales, activistas y de quienes tomaban las decisiones políticas, especialmente en el caso de los demógrafos y su miedo a un desplome de la población (que se demostró falso) y lo que ahora se contempla como planes siniestros de los eugenistas para eliminar a quienes entonces se definía como genéticamente inferiores. Marie Stopes se hizo famosa en Gran Bretaña no como defensora de la esterilización de los subnormales, sino como pionera del control de natalidad, algo que en aquella época llegó a ser reconocido entre las masas británicas como una incorporación útil a la práctica tradicional del coitus interruptus.

Sólo donde la opinión pública espontáneamente compartía los miedos y reacciones de los intelectuales de la élite podían sus escritos servir como expresiones del sentir general británico. Casi con toda seguridad coincidían en el problema del envejecimiento, en el miedo a la guerra; probablemente también en algunas formas que tomó la crisis de la economía (británica). Con respecto a estas cuestiones los británicos no experimentaron, como sugiere Overy, los aprietos del período de entreguerras como de trasmano. Como los franceses, vivieron con los sombríos recuerdos de los asesinatos masivos de la Gran Guerra y (acaso incluso de manera más efectiva), las pruebas vivientes andaban por las calles, sus supervivientes mutilados y desfigurados. Los británicos fueron realistas en sus miedos a otra guerra. Especialmente a partir de 1933, la sombra de una guerra se extendía sobre sus vidas, en la de las mujeres (sobre cuya participación en la Gran Bretaña del período de entreguerras este libro guarda silencio) acaso incluso más que en la de los hombres.

En la admirable segunda parte de su libro, Overy, que se ganó su merecida reputación como historiador de la Segunda Guerra Mundial, describe brillantemente el sentimiento de una catástrofe inminente inevitable en los treinta, que iba a dominar la llamada al pacifismo. Pero lo hizo precisamente porque no se trataba de un sentimiento de desesperanza, comparable al expresado y que recorrió toda la población con el del informe secreto del gobierno sobre una guerra nuclear en 1955 citado por Peter Hennessy (“si este país podría resistir un ataque general y aún estar en un situación de responder a las hostilidades es algo que debería cuestionarse seriamente.”) Esperar morir en la próxima guerra, como mis contemporáneos esperaban no sin razón en 1939 -Overy cita mis propias memorias en este punto- no nos detuvo a la hora de pensar que aquella guerra había de lucharse, había de ganarse y que podía llevar a una sociedad mejor.

Las reacciones británicas a la crisis del período de entreguerras que sufrió la economía británica fueron más complejas, pero el argumento aquí de que el capitalismo británico tenía menos razones para causar alarma es, con toda seguridad, erróneo. En la década de los veinte los británicos parecían tener razones más obvias para preocuparse por el futuro de su economía que el resto de europeos. Prácticamente ella sola en el mundo, la producción manufacturera en el Reino Unido, incluso en su momento álgido en la década de los veinte, cuando la producción mundial estaba por encima de un 50% de lo que había sido antes de la guerra, permaneció por debajo del nivel de 1913, y su tasa de desempleo, mucho más alta que la de Alemania y los Estados Unidos, nunca descendió del 10%. Poco sorprendentemente, la Gran Depresión golpeó a otros países más fuerte que a la ya renqueante Gran Bretaña, pero vale la pena recordar que el impacto de 1929 fue tan dramático como para hacer que el Reino Unido abandonase los dos pilares teológicos de su identidad económica del siglo XIX, el libre comercio y el patrón oro, en 1931. La mayoría de las citas de Overy sobre una catástrofe económica proceden de antes de 1934.

Ciertamente, la crisis produjo un acuerdo entre las clases articuladas como el sistema no pudo llevar a cabo antes, ya fuese por los defectos básicos del capitalismo o por el “fin del laissez-faire” anunciado por Keynes en 1926, pero las discusiones para la futura forma de la economía, ya fuese socialista o gobernada por un capitalismo reformado, más intervencionista y “planeado”, estuvieron estrictamente confinadas a minorías: las primeras al hasta medio millón que se movía en y alrededor del movimiento obrero, la segunda probablemente a unos cuantos cientos de lo que Gramsci hubiera llamado “intelectuales orgánicos” de la clase dominante británica. Sin embargo, nuestra memoria sugiere que Overy está en lo correcto al pensar que la reacción más extendida a los problemas de la economía entre los súbditos del rey que no escribían, fuera de las nuevas zonas deprimidas de las viejas regiones industriales, no era tanto el sentimiento de que “el capitalismo no había funcionado, sino de que no debería haberlo hecho del modo en que lo hizo.” Y en la medida en que el “socialismo” fue más allá de los activistas y hasta el 29% de los votantes británicos que votó por el Partido Laborista en el pináculo de su éxito durante el período de entreguerras, se debió más al resultado de un rechazo moral del capitalismo que a una imagen concreta de la sociedad futura.

Pero tampoco la creencia en el socialismo o en un capitalismo planificado implica morbosidad, desesperación o un sentimiento apocalíptico. Ambos, de modos diferentes, asumieron que la crisis podía y debía ser superada, animados por lo que parecía ser una extraordinaria inmunidad a la Gran Depresión de los planes quinquenales soviéticos, los cuales, en la década de los 30, observa apropiadamente Overy, convirtieron las palabras “plan” y “planificación” en el “ábrete Sésamo” incluso de los pensadores no socialistas. No hay ninguna duda de que el grueso de los socialistas fue más utópico en sus creencias que los reformistas pragmáticos, y más vagos en sus prescripciones, que no iban más lejos de la nacionalización de todas las industrias. Pero ambos miraron más lejos para un futuro mejor o al menos más viable. Sólo la recalcitrante retaguardia de tristes individualistas liberales anteriores a 1914 no veía ninguna esperanza. Para el gran gurú de la London School of Economics, Friedrich von Hayek, quien no aparece en este libro, tanto las recetas socialistas y keynesianas para el futuro eran los adoquines de un predecible “camino a la servidumbre”.

Esto no debería de sorprendernos. Muchos europeos tuvieron la experiencia del Armageddón en la Gran Guerra. El miedo a otra y con toda probabilidad más terrible guerra fue aún más real ya que la Gran Guerra había dado a Europa una serie de símbolos inductores de miedo que no tenían precedentes: los bombardeos aéreos, el tanque, la máscara antigás. Allí donde el pasado o el presente no proporcionaban ninguna comparación adecuada, muchas personas se vieron inclinadas a olvidar o subestimar los riesgos del futuro, no importa lo insistente que fuera la retórica que los rodeaba. Que muchos judíos que permanecieron en Alemania tras 1933 tomasen la precaución de enviar a sus hijos al extranjero muestra que no eran ciegos a los riesgos de vivir bajo el régimen de Hitler, pero lo que de hecho les esperaba era literalmente inconcebible a principios del siglo XX incluso para un pesimista del gueto. Por supuesto que hubo profetas en Pompeya que advirtieron de los peligros de vivir bajo volcanes, pero es dudoso si incluso los pesimistas que había entre ellos esperaban de hecho la devastación total y definitiva de la ciudad.

No hay una única etiqueta para saber cómo los colectivos sociales o incluso los individuos conciben o siente el futuro. En cualquier caso, “apocalipsis”, “caos” o “fin de la civilización”, estando más allá de la experiencia cotidiana en la mayoría de la Europa de entreguerras, no era lo que la mayoría de gente esperaba, incluso cuando vivieron con la incertidumbre por el futuro, en las ruinas de un viejo orden social ya irrecuperable, como muchos lo hicieron después de 1917. Estas cosas son más fácilmente reconocibles retrospectivamente, pues durante los episodios genuinamente apocalípticos de la historia –como, pongamos por caso, Europa central en 1945-46– la mayoría de hombres y mujeres civiles están demasiado ocupados tratando de sostenerse como para clasificar sus aprietos. Esa es la razón, en contra de los ases del poder aéreo, por la que las poblaciones civiles de las grandes ciudades no se amedrentaron bajo las bombas y las tormentas de fuego de la Segunda Guerra Mundial. Fuesen cuales fuesen sus motivaciones, se “sostuvieron” a ellos mismos, y sus ciudades, en ruinas y en llamas, continuaron funcionando porque la vida no se detiene hasta la muerte. Permítasenos no juzgar los indicios del desastre durante el período de entreguerras, incluso cuando terminaron por demostrarse correctos, por los estándares inimaginables de la destrucción y desolación que le siguieron.

El libro de Overy, no por agudo en su observación, e innovador y monumental en su exploración de los archivos, demuestra la necesidad de las sobresimplificaciones de una historia construida sobre sentimientos. Buscar un “sentir” general como tónica de una época no nos lleva a estar más cerca de reconstruir el pasado que el “carácter nacional” o “los valores cristianos / islámicos / confucianos.” Nos cuentan demasiado poco demasiado vagamente. Los historiadores deberían tomarse estos conceptos seriamente, pero no como base para el análisis o la estructura narrativa. Para ser justo con el autor, nunca comete un error. Su objetivo ha sido claramente componer una muestra original de variaciones para competir con los ritmos de otros historiadores profesionales en lo que se asume que es un tema universalmente familiar: la historia del Reino Unido de entreguerras. Pero no es ya más que familiar para los ancianos. Las Variaciones Overy en clave C (de crisis) suponen un logro admirable, aunque se echa en falta cualquier otra comparación seria con la situación en otros países europeos. Puesto que escribe bien, su libro también se convierte justamente en lo que no pretendía: en una guía turística a terra incognita para lectores a quienes el Reino Unido de Jorge V queda tan lejos y resulta tan desconocido como el de Jorge II. Debería leerse con placer intelectual y provecho por su perspicacia y sus descubrimientos de muchas de las partes que permanecían sin explorar de la vida intelectual británica, pero no como una introducción del Reino Unido de entreguerras para el viajero en el tiempo sin experiencia previa.
Sin Permiso - 06.09.09

Caos afgano

Tariq Alí

Dado que la democracia se encuentra exhausta en sus ciudadelas de Norte América y de Europa occidental, ¿qué debemos esperar de Afganistán? Estamos solo ante una imitación, ante una elaboración ideológica que deberemos definir justamente como “democratismo”, el rostro aceptable de un poder autoritario. Lo hemos visto ya en acción en el Irak ocupado y ahora en la farsa incluso peor en curso en Afganistán. La idea de que los resultados darán legitimidad al candidato vencedor no es otra cosa que una fantasía de alguno en Kabul y una cínica manipulación por parte del sistema político occidental establecido y de su prensa domesticada. Sea cual sea el resultado, no cambiará nada.

Hamid Karzai gobierna un escuálido narco estado. Wali Karzai es el hombre más rico del país y saca beneficio de los tráficos de armas y droga y de la presencia de la OTAN que mantiene en el poder a su hermano. Los dos candidatos rivales de Karzai en su momento formaron parte del gobierno. Ambos son dos payasos anhelantes de que Washington abandone a Karzai y los ponga a prueba a ellos. El propio Karzai está coaligado con religiosos fundamentalistas ultra reaccionarios del Irán occidental, chiitas a los que ha prometido cinco carteras en el gobierno y la aprobación de una ley encaminada a legalizar la violación sexual en el seno del matrimonio. Hillary Clinton calla. Larga vida a la democracia.

Afganistán está ocupado por los ejércitos de la OTAN bajo el mando de EEUU y de la nueva Administración. Esta es ahora la guerra de Obama que ha hecho campaña para enviar nuevas tropas a Afganistán y extender la guerra, si es necesario, a Pakistán. El mismo día en que Obama ha manifestado públicamente su disgusto por la muerte de una joven mujer iraní víctima de la represión en Teherán, un avión guiado por control remoto ha matado 60 personas en Pakistán, entre ellas mujeres y niños, a los que la propia BBC tendría dificultad en describir como “militantes”. Su nombre no significa nada para el mundo, sus imágenes no serán mostradas por la red de televisión. Sus muertes han ocurrido por “una buena causa”.

El mes de mayo pasado Graham Fuller, antiguo jefe de la CIA en Kabul, publicó un análisis sobre la crisis de la región en el Huffington Post. Ignorado por la casa Blanca cuando, en su día, puso en discusión gran parte de las evaluaciones sobre las que se sustentaba la escalada bélica, Fuller ha hablado en nombre de muchos de los miembros de los aparatos de inteligencia de su país y de Europa. No es frecuente que yo llegue a estar de acuerdo con un hombre de la CIA, pero Fuller no solo ha afirmado que Obama “se ha adentrado por el mismo sendero recorrido por George Bush y que llevó al fracaso en Pakistán” y que el uso de la fuerza no traerá la victoria, sino que también ha explicado a los lectores que los talibanes son todos étnicamente pashtunes y que los pashtunes están “entre los más fervientes nacionalistas , tribales y xenófobos pueblos del mundo, unidos tan solo contra el invasor extranjero” y que “en último análisis, son más pashtun que islamistas”. “Es una fantasía –ha escrito- pensar que se pueda sellar la frontera entre Pakistán y Afganistán”. No creo que sea el único hombre de la CIA jubilado que acuda al pasado, a los días en los que Camboya fue invadida “para salvar Vietnam”.

En resumen, Afganistán yace en el caos. Pakistán yace en el caos. La solución de Obama es parte del problema. Hay una necesidad desesperada de encontrar una exit strategy. ¿Está Obama en condiciones de encontrar una, antes de su “salida” de la Casa Blanca? Las señales son descorazonadoras.
Sin Permiso - 06.09.09

La fiesta de los mercados

Joseph Halevi

247.000 personas han perdido el empleo en EEUU durante el pasado mes de junio, pero los mercados están exultantes porque la caída ha sido menor de lo previsto, aun habiendo sido las pérdidas de mayo harto superiores a las expectativas. El factor que ha permitido rebajar la desocupación estadounidense del 9,5% al 9,4% ha sido el abandono de la búsqueda activa de trabajo por parte 440.000 personas. Se trata de los desocupados desmoralizados que, abandonada toda esperanza de encontrar empleo, salen de las estadísticas y, paradójicamente, contribuyen a reducir el desempleo. Del desplome de la producción industrial y del PIB en Italia a las pérdidas de empleo en los EEUU, los datos positivos son prácticamente inexistentes.

En cambio, los negativos se acumulan: hace apenas unos días llegó la noticia de que (también) en Japón los salarios han caído, cerca de un 7%. ¿Cómo puede reiniciarse la actividad económica, si la masa de los consumidores, los asalariados, sufre tales memas de ingreso? Huelga decir que, tras cerca de dos años de caída ininterrumpida, se llega al llamado bottoming out, punto a partir del cual las sucesivas caídas son menos drásticas. Así sucedió también en los años 30, pero la recuperación no llegó a los EEUU, tratándose más bien de oscilaciones, harto pronunciadas, en torno al nivel cero de crecimiento.

Hoy, gracias precisamente a la existencia de gastos incomprimibles, como el pago de pensiones de jubilación y el más elevado porcentaje de empleos públicos —atacados por años, afortunadamente sin demasiado éxito—, es muy posible que el fondo no se precipite a los niveles abisales de los años treinta. Pero de aquí a decir que estamos ya en vías de recuperación media el trecho de una ideología falsaria.

Pero es lo cierto que los mercados danzan felices y contentos, ajenos por completo a la economía de la que depende la vida de la inmensa mayoría de la población.

Recapitulemos la razones principales del renovado resurgir de las finanzas. Esas razones radican todas en la intervención de los gobiernos y los dineros ofrecidos a los bancos en crisis. Bajo el capitalismo, todo ha de representarse como una transacción que refleje la forma de la propiedad privada, de aquí que las dádivas se presenten al público como préstamos del Estado al sistema bancario privado. En realidad, como ha explicado el jefe de la Fed, Bern Bernanke, a la cadena televisiva CBS, de lo que se ha tratado es de imprimir moneda con objeto de remitirla electrónicamente a la banca.

Todo este proceso lo que ha hecho es facilitar la concentración financiera, en un contexto en el que los megabancos no sólo reciben los dineros del gobierno, sino que este último carga con las pérdidas de las sociedades fagocitadas por las nuevas concentraciones bancarias. En ese contexto, no se precisa de la menor inteligencia gestionarial para lograr ganancias que, en realidad, nacen de los mecanismos institucionales puestos por obra. El casino global se ha repartido como si nada hubiera sucedido, escribía Der Spiegel en su número de fines de julio. El semanario alemán observa que, con lo peor a sus espaldas, los bancos se comportan ya como durante los años anteriores a la crisis. Para Der Spiegel, “incluso peor, porque, gracias a las garantías públicas y al dinero a bajo coste ofrecidos por los bancos centrales, nunca ha sido tan fácil para los bancos hacer dinero”.

La actuación de los bancos centrales sobre el mercado de títulos, sumada a la dádiva directa de dineros, es un elemento central para la realización de beneficios fáciles por parte de los bancos privados. Se hallan estos últimos en una posición casi monopolística (como vendedores privilegiados) frente a los bancos centrales. La técnica es parte del tremebundo plan de rescate de títulos sin valor ideado por el secretario del Tesoro, Timothy Geithner, y por el consejero económico de la Casa Blanca, Larry Summers, pero que se aplica más o menos por doquiera.

La Reserva Federal anuncia los títulos que se apresta a comprar, con lo que dispara la subida de los precios de venta por parte de los bancos. Es un juego de niños, señaladamente en el nuevo contexto de hiperconcentración financiera. Resulta de ellos un aumento de la diferencia entre los precios de demanda de los bancos centrales y los precios “de oferta” de los bancos privados. El diferencial opera a favor de la banca privada, que vende sus títulos y obligaciones a precios monopolistas.

Pero eso es precisamente, según explicaba el Financial Times, lo que quiere la Reserva Federal, empeñada en hacer ganar dinero a Wall Street. La ideología dominante dice que la recuperación del empleo pasa por semejantes políticas, pero economistas que se hallan a años luz del marxismo, como Paul Krugman en el New York Times, no dejan de criticar tal desarrollo de las cosas.

Yo creo que, en realidad, las políticas de Gaithner-Summers andan mucho más arraigadas en el sistema de lo que suele creerse. Expresan la mutación, endógenamente incorregible, de la estructura económica capitalista en dirección a la financiarización, es decir: hacia un circuito en el que el paso del dinero a las mercancías, para luego reaparecer en acrecido montante monetario, se ha deteriorado de manera irreversible.

La desmembración entre el sistema financiero y el productivo –y medioambiental— ha sido favorecida por el propio Estado. El efecto “keynesiano” de tales operaciones es nulo mientras el Estado mantenga la continuidad del desmembramiento. En efecto: si los mercados están de fiesta, los gobiernos, como el inglés y el de Washington, anuncian que las políticas de dádivas de dinero a los bancos y de beodas adquisiciones títulos tienen que proseguir, a fin de evitar que se agrave la crisis. Cada una de esas declaraciones abre nuevas perspectivas de lucro financiero, al tiempo que cierra todo horizonte a quien vive y seguirá viviendo sumido en la crisis y a caballo de las próximas oleadas de desocupación.

La respuesta a este estado de crisis, al menos conceptualmente, es marxista, no keynesiana.

Sin Permiso - 06.09.09

Si esta es una recuperación... ¿Dónde están los trabajos?

Fred Goldstein

Los economistas capitalistas, los expertos y los jugadores del mercado de acciones no se deciden si hay o no una “recuperación”.

Para los/as trabajadores/as que están perdiendo sus hogares, sus seguros de salud, sus ingresos y que están profundamente endeudados/as, no hay ninguna ambigüedad. No hay una recuperación.

Sin embargo, tan pronto hay una pequeñísima señal de noticias un poco menos malas—que no es tan mala como en el período anterior—los bien remunerados expertos rápidamente declaran que se avecina una recuperación.

Por ejemplo, el 31 de julio el gobierno anunció que la economía había decrecido por “sólo” un por ciento en el segundo trimestre, en comparación al 6,4 por ciento en el primer trimestre del año 2009. El 6 de agosto, una semana después, anunció que “sólo” 247.000 trabajadores/as perdieron sus empleos en julio y que el desempleo declinó—del 9,5 al 9,4 por ciento.

Resultó que 422.000 trabajadores/as más se salieron de la fuerza laboral y no estaban siendo contados/as. Por lo tanto la tasa de desempleo en realidad subió al 9,7 por ciento si los/as trabajadores/as desmoralizados/as hubieran sido contados/as como parte de la fuerza laboral.

Definitivamente no toma mucho para alentar a los capitalistas expertos que están desesperados en busca de optimismo. Después de todo el optimismo hace que las acciones suban. Por eso estos le ponen poca atención a esta pequeña “discrepancia”.

En el 10 de agosto, más noticias buenas. El capitalismo francés y el alemán tuvieron una pequeña alza después de largos períodos de bajón económico. Esto fue seguido dos días después por el anuncio de que Japón tuvo una pequeña alza también, luego de un largo y drástico período de contracción económica.

Ben Bernanke, presidente del Sistema de la Reserva Federal, pronunció que había luz al final del túnel: la recuperación está en el horizonte en la segunda parte del año.

El comercio supuestamente estaría en ascenso. Los economistas casi se saborean la recuperación.

Falsa promesa de “buenas noticias”

Pero el 13 de agosto se dio la noticia de que las ventas al por menor habían caído—aún en Walt-Mart, Kohl’s y otras tiendas gigantes que venden a los/as trabajadores/as. El 14 de agosto, el prestigioso reporte sobre la confianza de los consumidores de la Universidad de Michigan mostró un gran descenso; cuando se esperaba un alza. El mercado de acciones de Estados Unidos bajó, seguido por una grave caída en Asia y después una profundización en el descenso de nuevo en Estados Unidos.

Las deudas de las tarjetas de crédito, las hipotecarias y los despidos están en alza. Cerca de 30 millones de trabajadores/as están o desempleados/as o sub empleados/as y la cifra continúa en ascenso. La bancarrota personal está en ascenso.

¿Qué se puede esperar de las ventas si no es su caída? Las masas populares tienen poco o ningún dinero. Lo que tienen está siendo utilizado para pagar las deudas, hacer lo posible para que sus hijos cursen sus estudios, pagar por el cuidado médico o simplemente para una sobrevivencia básica.

Es por esto que más de 100 bancos han fracasado desde que comenzó la crisis. Este año 77 bancos estadounidenses han quebrado. Otros 300 están en la lista de observación por la Corporación Federal de Seguros de Depósito, (FDIC siglas en inglés.) Cinco bancos fallaron sólo en la semana entre el 10 y 14 de agosto.

La nueva y peligrosa fase del capitalismo

Este sube y baja de la opinión sobre la recuperación, acontece frente a un incesante aumento en el sufrimiento y la pobreza entre los/as trabajadores/as y oprimidos/as.

He aquí la contradicción.

El capitalismo tradicionalmente no está supuesto a funcionar de esta forma. La manera en que se supone que debe funcionar es la siguiente: Cuando hay una crisis económica, hay una crisis para los/as trabajadores/as. Cuando hay una recuperación económica, hay una recuperación para los/as trabajadores/as. Un declive trae malos tiempos. Una recuperación trae mejores tiempos.

¿Pero qué pasa si hay una recuperación del comercio y todavía existe una crisis para los/as trabajadores/as? Claramente el capitalismo está en una nueva y peligrosa fase en cuando a los/as trabajadores/as se refiere.

Ni uno de estos expertos sabe si va a haber algún tipo de recuperación capitalista del comercio o si toda la economía colapsará una vez que el dinero del estímulo se acabe aquí y en Europa y en el Japón—o quizás que colapse antes de eso.

Pero si logran impulsar una recuperación para los empresarios y los banqueros al darles miles de millones de dólares en fondos de rescate tomados de los/as trabajadores/as, la crisis estructural real a largo plazo del sistema se pondrá de manifiesto—una era cada vez mayor de recuperación sin empleos.

Mark Zandi, economista en jefe de Moody’s Economy.com lo expresó de esta manera: “Vamos de recesión a recuperación, pero al menos al principio no va a sentirse como una”. (New York Times, 1 de agosto) La amenaza de un desempleo de doble dígito se acerca y los salarios disminuyen a pesar de la recuperación en el mercado de valores y un repunte en las ganancias corporativas.

Recuperación sin empleos es problema global

Los/as trabajadores/as deben prestar mucha atención a las palabrerías sobre “recuperación”. Es evidente que no les incluyen.

Por ejemplo, leyendo los párrafos enterrados en los anuncios de reactivación en Europa y Japón es ilustrativo. Después de pregonar la “fuerte recuperación” de Europa en su titular, el New York Times del 13 de agosto recuerda a sus lectores la posibilidad de que la recuperación podría estancarse.

“El desempleo se espera que aumente considerablemente este año, cuando los programas del gobierno que mantuvieron a la gente en las nóminas privadas por toda Europa comienzan a caducar. Ya la tasa de desempleo de la zona euro se sitúa en el 9,4 por ciento, su nivel más alto en 10 años, y el crecimiento anémico de los próximos trimestres no será suficiente para detener la caída”.

El mismo tipo de titular optimista seguido por el de una mala noticia real apareció en el Times del 16 de agosto: “Sin embargo las perspectivas de Japón aún no están claras, y algunos analistas se preguntan si la economía puede sostener esta recuperación después de que las medidas de estímulo domésticas y en otros lugares se acaben. La caída en empleos y salarios también se espera que pesen sobre los gastos de los consumidores por algún tiempo. La tasa de desempleo de Japón alcanzó un máximo en seis años de 5,4 por ciento y los salarios mostraron una caída récord en junio”.

“Una auto-recuperación que pueda sostenerse todavía no está a la vista”, declaró un economista japonés.

En otras palabras, incluso si hay una recuperación de los capitalistas a nivel mundial, para los/as trabajadores/as todavía habrá una crisis de desempleo y disminución de los salarios. Y esa crisis impedirá que el sistema capitalista reviva como antes.

Aumento de la tasa de explotación agrava la crisis

Una cifra muy importante que se publicó el 11 de agosto pero no se dio a conocer, mostró un incremento en la productividad del trabajo en medio de la crisis. Reuters puso las cosas sin rodeos, al anunciar un incremento del 6,4 por ciento en la producción por hora por trabajador/a (tasa anual).

“La producción por trabajador en EEUU subió a su ritmo más rápido en seis años durante el segundo trimestre ya que las empresas extrajeron más producción de menos empleados en una señal de que la recuperación de la recesión será lenta y poco probable de producir un aumento en la contratación”.

De modo que los empresarios han utilizado la crisis para despedir trabajadores/as de forma permanente a través del uso de la tecnología, la reorganización, la aceleración o de otras formas más. Lo que esto realmente significa es que los capitalistas han aumentado la tasa de explotación de los/as trabajadores/as.

Las horas trabajadas cayeron un 7,6 por ciento, pero la producción se redujo sólo un 1,7 por ciento. Así, los/as trabajadores/as producen más en menos tiempo. Esto es lo que ha provocado un aumento en las ganancias empresariales a pesar de una economía en declive.

La lucha de cada capitalista para extraer más y más de los/as trabajadores/as significa que la patronal no tendrá que volver a contratar a muchas de las decenas de millones de trabajadores/as sin empleo o subempleados/as, incluso durante una recuperación.

También significa que si hay una recuperación, y esto no está garantizado en absoluto, será débil, de corta vida y llegará a costa de los/as trabajadores/as que se van a encontrar forzados/as a competir entre sí por menos cantidad de puestos de trabajo.

El capitalismo no tiene renovación automática para los/as trabajadores/as. La única manera de revivir las fortunas de los/as trabajadores/as y las comunidades es la apertura de una lucha masiva por empleos, ingresos, servicios sociales, salud, vivienda, alimentación y todas las necesidades de la vida.

Los patrones y los banqueros nos han hecho pagar por esta crisis con miles de millones de dólares en rescates, mientras nos sacan de nuestros trabajos y nuestros hogares.

Es hora de que los/as trabajadores/as organicen para rechazar estas condiciones. Es el momento de declarar que el trabajo es un derecho, la vivienda es un derecho, la atención médica es un derecho, la educación es un derecho. Y es hora de movilizar a los sindicatos, las comunidades y todas las organizaciones de masas en una lucha unitaria para cambiar las cosas.

Workers World - 07.09.09

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