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18/03/2010

Trabalhadores gregos resistem à ofensiva: A revolta de milhões

Pela quarta vez no espaço de um mês, os trabalhadores gregos participaram em massa na greve geral de dia 11, convocada pela PAME, que de novo arrastou para a luta as duas centrais reformistas GSEE e ADEDY.

Milhões de trabalhadores paralisaram a Grécia, demonstrando não só o seu profundo repúdio pelas draconianas medidas de austeridade aprovadas pelo governo, mas também a sua firme disposição de continuar o combate pela sua revogação.
A presente vaga de contestação popular começou com a greve geral de 17 de Dezembro, na semana em que o governo de Papandreu fez o primeiro anúncio de cortes nos salários e direitos sociais. Seguiu-se a greve geral de 10 de Fevereiro, à qual se juntou a federação dos funcionários públicos ADDEY, e, duas semanas depois, a greve geral de 24, na qual participaram as centrais maioritárias no sector privado e público (GSEE e ADDEY).
Sem dar tempo ao governo para respirar, a Frente Militante dos Trabalhadores (PAME) volta a convocar nova greve geral em 5 de Março, dois dias após o anúncio do novo pacote de austeridade, e insiste com nova paralisação uma semana depois.
De greve em greve, um número crescente de trabalhadores toma consciência de que está nas suas mãos travar a ofensiva do capital, mas que tal objectivo só poderá ser alcançado mediante uma luta persistente e longa.
Esta perspectiva, claramente explicitada pela PAME e pelos comunistas gregos, de que a vitória não será fruto de uma única manifestação ou de uma única greve e que a luta se deve orientar não apenas contra o governo, uma lei ou uma medida, mas contra o próprio capitalismo como sistema de exploração, tem aberto caminho nas massas populares, que marcam uma presença cada vez mais numerosa nas manifestações da Frente Militante dos Trabalhadores.

Luta determinada

Já na greve de dia 5, as manifestações da PAME tinham sido maiores do que as organizadas pelas centrais reformistas. No dia 11, essa diferença foi ainda mais visível.
Junto às grandes fábricas e empresas, os piquetes da PAME defenderam com firmeza o direito ao protesto, à greve. Portos e aeroportos, transportes urbanos, caminhos-de-ferro estiveram totalmente paralisados. Apenas na capital alguns transportes funcionaram durante um curto período para facilitar a deslocação dos manifestantes.
No comício, Vasilis Petropoulos, membro do secretariado executivo da PAME, salientou que «não existe nenhum perigo nacional, nenhuma dívida nacional pode obrigar os trabalhadores a sacrificar os seus direitos, o que existe é apenas a ganância dos capitalistas pelo lucro».
À imprensa, Aleka Papariga, secretária-geral do Partido Comunista da Grécia, esclareceu: «As declarações do governo e do patronato não merecem qualquer crédito. Mentem, intimidam os trabalhadores, esperam que a luta cesse para adoptar medidas ainda piores. O pior está para vir. Por isso é necessário continuar e intensificar a luta».

http://www.avante.pt/noticia.asp?id=32851&area=8

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