À procura de textos e pretextos, e dos seus contextos.

07/04/2011

Greve na Páscoa nos hipermercados

O CESP/CGTP-IN mantém aberta a possibilidade de convocar greve para o sector da grande distribuição (super e hipermercados), no período da Páscoa, caso a associação patronal APED e as maiores empresas que a dominam persistirem numa «postura não negocial» na revisão do contrato colectivo de trabalho.
Os órgãos do sindicato receberam o mandato para avançarem com o pré-aviso, por decisão de um encontro nacional de delegados e dirigentes, a 24 de Fevereiro, cujas conclusões estão a ser amplamente divulgadas, num folheto específico. No documento destaca-se o combate às propostas patronais, que visam aumentar a jornada de trabalho até 12 horas e a semana laboral até 60 horas, recorrendo à «adaptabilidade» ou «bancos de horas» para não remunerar o trabalho prestado para além do período normal. Entretanto, a APED não quer qualquer aumento salarial.
O sindicato, respondendo à recusa patronal de prosseguir as negociações directas, decidiu requerer a passagem à fase de conciliação. Nos diversos estabelecimentos, vai intensificar-se o esclarecimento dos trabalhadores e mobilização. Vai continuar a apresentação de cadernos reivindicativos. Culminando a recolha de assinaturas para um abaixo-assinado, vão realizar-se concentrações sindicais em frente das sedes das empresas que ocupam a presidência e a vice-presidência da APED. Para dia 20, está agendado o protesto junto à Sonae Distribuição, na Maia; em Maio, serão realizadas acções semelhantes frente às sedes do Grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce) e do Grupo Auchan (Pão de Açúcar).
Até à concretização da greve, o Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal vai ainda promover iniciativas dirigidas aos clientes, à porta de algumas lojas, para dar a conhecer os graves conteúdos das propostas patronais.
O sindicato inclui nestas movimentações a exigência de encerramento do comércio aos domingos e feriados.

http://www.avante.pt/pt/1949/trabalhadores/113694/

Nomeações

É o Correio da Manhã (CM) que escarrapacha na 1.ª página que o Governo do PS/Sócrates desatou a nomear os famosos «boys» do partido mal entrou em gestão.
Assim, já vão em 120 as nomeações e promoções governamentais publicadas em Diário da República desde 23 de Março último, dia em que o actual Governo entrou em gestão, após formalização da sua demissão.
Entre os «nomeadores», o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, bate todos os recordes ao oficializar, de uma assentada, 40 contratações de última hora, todas, obviamente, de militantes ou «amigos» do PS. Ao lado deste recordista está o próprio primeiro-ministro que, através do seu gabinete oficial, desencantou também «multas e variadas» nomeações de última hora. E entre os felizes contemplados há de tudo: juristas, autarcas e eleitos das mais variadas proveniências e extracções... partidárias.
O chocante já nem é este repetido «festival de compadrios», que se exibe perante o País a cada Governo que sai (e também a cada um que entra).
O chocante, hoje em dia, é a naturalidade rotineira em que estas «nomeações» se transformaram, não parecendo espantar ou chocar quem quer que seja, entre os famosos – e famigerados... – «partidos do arco do poder». O que até nem espanta: afinal de contas, são eles os únicos beneficiados pelo regabofe...

Vendas

Entretanto, ainda segundo o CM, o Estado arrecadou cerca de 355 milhões de euros em 2010 com a venda de 466 imóveis do património público, mas, destes, apenas 24 foram efectivamente vendidos a privados. Os restantes – ou seja 442, a esmagadora maioria – foram de novo «comprados» pelo mesmo Estado, através da empresa pública «Estamo». Com um pormenor: os antigos terrenos da Quimiparque, em Almada, foram «adquiridos» por outra empresa pública, a «Baía Tejo».
Neste «finge que vende e não vende» o Governo de José Sócrates «aliviou» o défice nos tais 255 milhões de euros, embora tal quantia nunca tenha entrado nos cofres do Estado – só nos «cofres contabilísticos» destes habilidosos.
E nesta enxurrada permanente de «habilidades» governamentais (deste e de todos os Governos que o antecederam) se vai afundando o País e os portugueses.

Números

O secretário de Estado da Administração Pública, Castilho dos Santos, revelou esta semana que «as reformas na gestão dos recursos humanos» na máquina do Estado permitiu a «poupança» de 10 mil milhões de euros.
É um número concreto e brutal.
Concreto, porque quantifica, preto no branco, o balúrdio que se obteve com os cortes salariais à generalidade dos funcionários públicos.
Brutal, porque tal enormidade constitui não apenas um chocante esbulho a quem trabalha por conta do Estado em nome do «combate ao défice» como, sobretudo, tal esbulho não tem a mais longínqua correspondência ou semelhança com o aplicado ao grande capital e respectivos capitalistas.
Esses, na generalidade, viram baixar as suas «contribuições para o défice», apesar de serem eles, e a especulação de que vivem, os exclusivos responsáveis por toda esta chamada «crise mundial».

http://www.avante.pt/pt/1949/argumentos/113670/

Agiotagem

Anabela Fino

Numa altura em que boa parte dos portugueses está quase a bater ou já bateu no fundo em termos económicos, em consequência dos cortes salariais, do desemprego, do aumento do custo de vida, da perda de prestações sociais, do aumento dos medicamentos e cuidados de saúde, etc., etc., os representantes do capital daqui e de lá fazem fila para ver se conseguem rapar ainda mais o fundo ao tacho. Nos média sucedem-se entrevistas, comentários, reportagens sobre a dívida do País, os juros da dívida, as agências de rating, tendo como pano de fundo, qual tragédia grega, o coro afinado dos que pregam a inevitabilidade de recorrer a «ajuda» externa para evitar a bancarrota. Tudo isto com o objectivo de nos convencer que não há alternativa a chamar o FMI, que apesar de ser Fundo não quer saber dos nossos apertos, embora saiba muito bem onde deve abocanhar para fazer jus ao resto do nome: Monetário e Internacional.
O que ninguém explica, e não é por acaso nem por ignorância, é o motivo pelo qual o Banco Central Europeu (BCE) continua a financiar a banca à simpática taxa de juro de 1% – sem condições quanto às aplicações desse dinheiro, diga-se de passagem –, quando se sabe que depois esses mesmos bancos, com o nome de «mercados» tão vulgarizado nos últimos tempos, cobram elevadas taxas de juro aos estados, empresas e famílias, obtendo assim chorudos lucros.
Fala-se da «inevitabilidade» de chamar o FMI – o tal Fundo das políticas que trituram trabalhadores e povos em nome da economia e dos interesses do capital, como sabemos da nossa própria experiência passada e os actuais exemplos da Grécia e da Irlanda bem atestam – mas não se diz uma palavra da necessidade imperiosa de pôr termo à política do BCE, ditada pelas potências europeias, de não poder comprar dívida dos estados mas poder comprá-la livremente aos bancos após estes terem saciado a agiotagem.
Um estudo recente do economista Eugénio Rosa, citando dados do Banco de Portugal, mostra de forma lapidar o resultado de tal política: entre 2008 e 2010, a banca a operar em Portugal obteve do BCE a módica quantia de 82 614 milhões de euros (14 407 em 2008; 19 419 em 2009; e 48 788 em 2010), pela qual pagou uma taxa anual de 1%, ou seja, no total, 826 milhões de euros. Segundo a mesma fonte, no mesmo período, cobrando juros entre 5,05% e 6,87% pelos empréstimos concedidos com o dinheiro obtido do BCE, a banca embolsou 4683 milhões de euros, o que se traduz num resultado líquido de 3828 milhões de euros. Como se isso fora pouco – e ainda de acordo com o Banco de Portugal – a banca, só nos últimos dois anos, beneficiou de tal modo do generoso sistema fiscal português que «poupou» 491 milhões de euros. É fartar vilanagem.
Já agora, também vale a pena dizer que as famosas agências de rating – as tais que depois dos bancos nos esmifrarem estão à beira de nos classificar como «lixo» – não são desinteressadas instituições, antes são parte interessada, e muito, em todo este mecanismo: são pagas pelos bancos! E foi a esta gente, a esta política, que PS, PSD e CDS-PP entregaram o País. É a esta gente, a esta política, que querem pedir mais «ajuda». Seria como pôr o pescoço a jeito no cepo para nos degolarem mais depressa. Lixo... mas não tanto.

http://www.avante.pt/pt/1949/opiniao/113679/

Revue Savoir/Agir n° 12, Luttes au travail



revue Savoir/Agir n° 12, Luttes au travail
 Le dossier : Luttes au travail a été coordonné par Annie Collovald, Nathalie Ethuin et Laurent Willemez.
Éditions du Croquant

Sommaire
Éditorial, par Frédéric Lebaron

Dossier

Luttes au travail, coordonné par Annie Collovald, Nathalie Ethuin et Laurent Willemez
Restriction du droit de grève et stratégies syndicales dans les transports publics, par Sophie Béroud et Baptiste Giraud
L’Observatoire du stress et des mobilités forcées à France Télécom : logiques et modes d’action d’une structure originale, par Corinne Delmas, Jean-Robin Merlin
L’intérim en grève : la mobilisation des travailleurs sans papiers intérimaires, par Pierre Barron, Anne Bory, Sébastien Chauvin, Nicolas Jounin et Lucie Tourette
Quelle syndicalisation des travailleurs de l’intérim ?, par Sébastien Grollier
La toge, la paillasse et le mégaphone, par Bertrand Geay
Luttes de classes, conflits de genre : les ouvrières de Chantelle à Nantes, par Ève Meuret-Campfort

Grand entretien

Reportage en précarité, un entretien avec Florence Aubenas
Paroles
« T’as toujours cette image là qui te retombe sur le dos »
Chronique de la gauche de gauche
Après les régionales, quel Front de gauche ?, par Louis Weber
Alterindicateurs
Les conséquences sociales de la crise mondiale : quelques réflexions à partir de données récentes, par Frédéric Lebaron
Actualité
Une nouvelle méritocratie, par Gérard Mauger
Europe
La grève « européenne » du lait de 2009 : réorganisation des forces syndicales sur fond de forte dérégulation du secteur, par Élise Roullaud
Politiques d’ailleurs
Le Mouvement vert en République islamique d’Iran, par Fariba Adelkhah
Culture
Venise, Biennale 2009, par Éveline Pinto,
Ruban comme le fil du récit, blanc comme un trou de mémoire, « Le ruban blanc », par Renée Falson

[Pour commander la version papier]

Jacques Bouveresse à propos de Peut-on ne pas croire ? Sur la vérité, la croyance et la foi


autour de Jacques Bouveresse 

Articles de Jacques Bouveresse dans la revue Agone


  • Le pouvoir des médias & la rébellion de Karl Kraus : une leçon de résistance pour notre temps ?
    Paru dans revue Agone , 40 | 2008


  • Paru dans revue Agone , 35-36 | 2006

  • La réalité peut-elle dépasser la satire ?
    Paru dans revue Agone , 34 | 2005



  • Política - "Pedido de ajuda "é o culminar de vários erros do governo sobre esta matéria", Octávio Teixeira - RTP Noticias, Áudio

    País - Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública marcou greve nacional para o dia 6 de maio - RTP Noticias, Áudio

    País - Fenprof aponta o dedo ao Presidente da República - RTP Noticias, Áudio

    País - Crise deixou os mais velhos ainda mais vulneráveis - RTP Noticias, Vídeo

    País - Famílias portuguesas vivem situações dramáticas - RTP Noticias, Vídeo

    06/04/2011

    Juventud SIN futuro - Manifesto

    Via Juventud SIN futuro: http://www.juventudsinfuturo.net/

    Nós, os jovens e as jovens sem futuro, dirigimo-nos à opinião pública para manifestar a nossa discordância com as políticas de cortes sociais do Governo e com a consequência mais grave e de maior impacto que estas medidas representam: os jovens mais bem preparados nossa História vão viver pior do que seus pais.
    A agressão contra os jovens numa fase de crise capitalista, com uma taxa de desemprego entre os jovens de 40%, o mais elevado na UE, materializa-se essencialmente em 3 medidas:
    1) A reforma das leis do trabalho, que aumentam o tempo dos contratos a termo, a flexibilidade do trabalho e o fim da negociação colectiva, transformam-nos em trabalhadores precários para a vida toda.
    2) A reforma do sistema de pensões, aumenta a idade da reforma e reduz o valor das pensões futuras e torna ainda mais difícil a procura de um emprego decente. Tudo isto nos oferece um horizonte sem futuro.
    3) A mercantilização da Escola pública, que favorece o lucro privado e não a formação e o conhecimento. Uma universidade de elite para uma minoria e uma fábrica de precários para a maioria, com medidas que dificultam o acesso à universidade e degradam a formação profissional das pessoas.
    Somos as jovens e os jovens a quem as elites económicas e as políticas dos governos querem converter na geração sem qualificações, sem trabalho e sem pensão digna. Somos aquelas e aqueles que, além disso, não têm direito a uma casa, porque os especuladores tornaram o direito à habitação num negócio com que se enriquecem; foi este o modelo de crescimento económico que falhou e que causou esta crise. Temos consciência de que as medidas de saída da crise económica têm sido realizadas à custa de uma constante socialização das perdas.
    Confrontados com a saída da crise através de políticas de direita, nós, a geração precária, assinalamos os culpados e exigimos sermos ouvidos.
    Queremos recuperar a nossa capacidade de sermos os atores da mudança, combatendo um país de precariedade, de desemprego e da privatização da nossa educação. Estamos cientes de que a mobilização e a luta fazem sentido, mas mais do que isso, são necessárias. Itália, França, Grécia, Islândia ensinam-nos que a mobilização é indispensável. O mundo árabe demonstra-nos que a vitória é possível.
    Por isso apelamos a um ciclo de mobilizações para recuperar a voz da juventude na rua, e estendemos esse apelo a toda a sociedade civil. Mas nós não confiamos, sabemos que a solução não poderá conter aqueles que criaram a crise. Apelamos à mobilização colectiva, a reivindicar o nosso direito de discordar, a reconstruir o nosso futuro.
    Os abaixo assinados, estudantes e membros da comunidade escolar, jovens trabalhadoras e jovens trabalhadores, movimentos sociais, profissionais da ciência; mundo da cultura e das artes apoiam, com as suas assinaturas, este convite para a mobilização.

    "Já nos tiraram demasiado, agora queremos tudo de volta"

    Manifestação em Madrid: quinta-feira, 7 de Abril - 19h - Praça Antón Martín

    Primeiros signatários:
    Jorge Riechmann. Profesor titular de filosofía moral de la UAM
    Félix Ovejero. Profesor titular de ciencias económicas UB
    Marcos Ana. Poeta
    Santiago Alba Rico. Escritor
    Salvador López Arnal. Profesor de Matemáticas de la UNED.
    Almudena Grandes Hernández. Escritora.
    Guillermo Toledo. Actor.
    Jaime Pastor. Profesor de la UNED.
    Luis García Montero. Poeta.
    Pulpul (Roberto Gañan) de Ska-p. Grupo musical.
    Enrique Santiago Romero. Abogado
    Ramón Sánchez Tabarés. Catedrático de Economía Mundial de la UB.
    Antonio Domènech. Catedrático de Filosofía del Derecho de la UB y Editor de la Revista Sin Permiso.
    Antonio Izquierdo Escribano. Catedrático de Sociología de la Universidad de A Coruña. Consejo Editorial de Público.
    Francisco Fernández Buey. Catedrático de Filosofía Moral de la UPF.
    Vera Sacristán. Profesora de Matemáticas de la UPC.

    UGT e CGTP criticam decisão do Governo e “pressão” da banca

    A UGT e a CGTP lamentaram hoje a decisão do Governo de pedir apoio financeiro internacional e consideraram que isso resultou da pressão exercida pela banca sobre o executivo socialista.

    O secretário-geral da UGT, João Proença, lamentou a decisão do Governo e considerou “deplorável a pressão exercida pelo poder financeiro sobre o poder político”.

    O sindicalista considerou falso o argumento usado pela banca de que tem problemas porque tem que financiar o Estado quando “a banca é que tem usado o Estado para aumentar imenso os seus lucros”.

    Proença considerou que a decisão do Governo demissionário “traz graves prejuízos para a população portuguesas em geral e em particular para os mais desfavorecidos”.

    “Apelo, por isso, aos políticos para que não cedam às exigências do FMI”, disse João Proença à agência Lusa.

    O secretário-geral da CGTP também criticou a decisão governamental e a influência exercida pela banca.

    “Esta decisão mostra que quem manda no país são os grupos financeiros, que fazem as chantagens que entendem. Mas o Presidente da República, o Governo e os partidos do arco do poder submetem-se às determinações do poder financeiro e da agiotagem internacional”, disse à agência Lusa Manuel Carvalho da Silva.

    O sindicalista considerou que estão a ser tomadas medidas que têm “repercussões muito graves” na vida dos portugueses, sem qualquer tipo de debate prévio, “o que não pode acontecer em democracia”.

    Carvalho da Silva defendeu que se houver intervenção do FMI em Portugal, esta deve ser acompanhada de perto pela Organização Internacional do Trabalho.

    http://economia.publico.pt/Noticia/ugt-e-cgtp-criticam-decisao-do-governo-e-pressao-da-banca_1488635

    “Estamos numa situação de emergência, mas esta não é a solução”, diz PCP

    o tempo das cerejas*: Mais palavras para quê?

     Vítor Dias


    (com a banca pelo meio)
    (extractos de uma cronologia no Público)
    19 Mar - O primeiro-ministro revela que não está disponível para governar com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e reafirma que Portugal não precisa de ajuda externa. (...) 24 Mar - O ministro da Presidência afirma que, apesar da crise política, o Governo continua a considerar evitável o recurso de Portugal à ajuda externa. - 25 Mar - O primeiro-ministro assegura em Bruxelas que Portugal não precisa de ajuda externa para financiar a dívida pública. 25 Mar - Jerónimo de Sousa recusa dar “aval” a um pedido de ajuda externa, considerando que se trata de “uma ameaça” que condicionaria a “soberania”, a “economia” e os “direitos sociais”. (...) -31 Mar - O ministro da Presidência afirma que um eventual pedido de ajuda externa por parte do Estado envolveria uma negociação de condições, que ultrapassaria as competências de um Governo de gestão.(...) (...) - 04 Abr - José Sócrates lamenta ter sido “o único dirigente político” a alertar para as consequências do chumbo do PEC e afirma que fará “tudo” para evitar um pedido de ajuda externa.(...) - 06 Abr - O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) considera “urgente” que Portugal peça ajuda externa financeira à Europa, já que os bancos nacionais não têm mais dinheiro para emprestar. (...) - 06 Abr - José Sócrates anuncia que endereçou à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira.


    Une journaliste dénonce une censure des labos dans la presse médicale

    L'affaire du Mediator a montré les liens parfois trop proches que peuvent entretenir un grand laboratoire pharmaceutique comme Servier et les autorités de santé. Mais l'influence des labos peut s'exercer aussi dans un autre domaine : celui de la presse médicale.
    Voici quelques jours, Virginie Bagouet a quitté Impact médecine après des mois de conflit avec sa hiérarchie. Elle travaillait depuis février 2008 dans ce magazine spécialisé à destination des généralistes. Mardi 5 avril, elle est auditionnée par la mission commune d'information du Sénat sur le Mediator.
    Mails et pièces à l'appui, la journaliste dénonce en effet des censures, explicites ou implicites, de son travail, notamment par rapport à Servier.  Le journal, lui, estime avoir "respecté l'éthique".
    ARTICLES EN RELECTURE CHEZ SERVIER ?
    Craignant les foudres du laboratoire, l'un des principaux annonceurs de l'hebdomadaire, la rédaction en chef aurait ainsi, selon l'ex-salariée, refusé de parler du livre du docteur Irène Frachon, Mediator 150 mg, combien de morts ? (Dialogues.fr, 2010).
    Même après l'étude de la Caisse nationale d'assurance-maladie sur ce médicament, qui confirmait, en octobre 2010, les craintes du Dr Frachon, Impact médecine n'a pas fait état de ces critiques. "Notre rédactrice en chef a accepté qu'une des journalistes fasse un article. Mais son papier, très factuel, n'a finalement pas été publié. Raison invoquée par la rédaction en chef : 'C'est trop sensible''', raconte encore Virginie Bagouet.
    Interrogée par Le Monde.fr, la directrice de la rédaction d'Impact Médecine, Anne Prigent, relativise : "C'est vrai, nous n'en avons pas parlé, mais comme l'ensemble de la presse. Nous n'avons pas de rubrique 'Livres' et nous ne voyions pas la nécessité, à sa sortie en juin 2010, de revenir sur cette affaire, puisque le Mediator a été interdit en 2009".  Elle dément toute "censure", "à moins que vous appeliez censure la réécriture d'articles mal construits", et dénonce un "mauvais procès".
    "NOUS NE SOUHAITONS PAS VOIR FIGURER LE GRAPHIQUE"
    Autre exemple cité par la journaliste, qui concerne toujours le laboratoire Servier : "J'ai été envoyée, fin août 2010, suivre un congrès de cardiologie à Stockholm, où était présentée une étude importante de Servier sur un de ses médicaments, le Procoralan. L'article que j'ai écrit a été envoyé en relecture à Servier pour 'validation scientifique'", se souvient la journaliste.
    "J'étais en copie des mails, j'ai vu la relecture par le laboratoire. Des modifications ont été apportées, dont une erreur." Et lorsque la journaliste demande à sa rédactrice en chef des explications, Virginie Bagouet indique qu'elle s'est vu répondre : "Servier est content".
    Anne Prigent réfute en bloc : "Nous ne faisons pas valider nos articles par Servier, ni par aucun autre laboratoire. Il peut arriver qu'il y ait relecture, au niveau scientifique, par des experts, pour des précisions techniques. Les conférences sont souvent en anglais et on décrit rapidement des choses complexes, qui peuvent nécessiter des éclaircissements." Contacté, le laboratoire Servier n'a pas souhaité répondre aux questions du Monde.fr
    Pourtant, des échanges de mails que Le Monde.fr a pu consulter posent question. On y constate qu'une directrice de clientèle d'Impact Médecine est en relation régulière avec un cadre de Servier à propos d'articles à paraître. "Pour la relecture, êtes-vous là vendredi ?", lui demande-t-elle. Ce dernier répond : "N'hésitez pas à m'envoyer les articles à relire." Quelques mails plus tard, il écrit à la directrice de clientèle : "Je vous confirme que nous ne souhaitons pas voir figurer le graphique."
    "LES RÉDACTIONS SE METTENT AU SERVICE DES LABOS"
    Pour expliquer les censures qu'elle dénonce, Virginie Bagouet avance une raison avant tout économique. "Je n'ai pas le chiffre précis mais la publicité des laboratoires représente l'essentiel des revenus de la revue", précise la journaliste qui poursuit : "A chaque fois qu'on a voulu parler du Mediator, on nous a répondu que, la dernière fois que le journal avait critiqué Servier, celui-ci n'avait plus commandé de publicité durant six mois, mettant en péril les finances."
    Le député PS Gérard Bapt, président de la mission d'information parlementaire sur le Mediator, a reçu Virginie Bagouet. Il se dit "scandalisé". Et tout particulièrement par un épisode cité par la journaliste : à l'occasion d'un dossier sur la rhumatologie, la moitié de son article a été, selon elle, réécrit. Dans un autre cas, un autre article, vantant les mérites d'un médicament de Servier, a été inséré à son insu.
    L'article était signé d'un prête-nom : une certaine Claire Bonnot. Une signature utilisée, d'après la journaliste, pour les articles vantant les produits du laboratoire. "C'est faux, répond la directrice de la rédaction, Anne Prigent. Claire Bonnot est un pseudonyme utilisé depuis des années pour les articles écrits ou modifiés par la direction de la rédaction, en aucun cas uniquement pour Servier."
    "En commission, les responsables d'Impact Médecine nous ont assuré que cette  personne existait, qu'il s'agissait d'un article écrit de manière indépendante. En fait c'était faux, tout avait été relu et corrigé chez Servier", fustige Gérard Bapt, furieux de ce "chantage à la pub". "Les rédactions se mettent au service des labos parce qu'il faut vivre", constate l'élu, qui estime que la pratique touche la plupart des journaux spécialisés à destination des médecins.
    "LES MÊMES PRESSIONS DANS TOUTE LA PRESSE"
    Si Virigine Bagouet a quitté la revue, elle ne se fait pas d'illusion : "Je pense que j'aurai du mal à retrouver un travail dans la presse médicale, sourit-elle. Je n'ai pas eu à pâtir de ce genre de pratique avec d'autres laboratoires, mais je sais que cela existe." Et d'ajouter : "Servier a un mode de communication un peu archaïque, les autres sont plus subtils dans leurs techniques de communication."
    Et le problème de fond demeure : "La crise rend cette presse encore plus dépendante des annonceurs." Même un scandale comme celui du Mediator ne suffit pas à ébranler ce rapport de force. "Ce qui m'a décidé à témoigner, c'est de voir la presse médicale nier en bloc et jouer la vertu. C'est grave", estime la jeune femme.
    Pour Anne Prigent, "les pressions dans la presse médicale sont les mêmes que dans toute la presse. Nous y répondons de la même manière. Les labos sont nos annonceurs principaux, c'est clair. Mais on fait notre travail avec éthique."
    Gérard Bapt, lui, se montre pessimiste : "Il est difficile d'encadrer les pratiques de la presse médicale. On évoque la possibilité d'imposer des espaces de publication pour les agences officielles mais cela n'aura pas un impact énorme. Ce sont les instances de régulation de la publicité qui devraient agir." L'élu souhaite toutefois que ces expériences incitent les médecins à prendre du recul lors de la lecture de ces revues,"qui ne sont bien souvent que du matraquage pour certains produits".
    Samuel Laurent

    http://www.lemonde.fr/societe/article/2011/04/05/une-journaliste-denonce-une-censure-des-labos-dans-la-presse-medicale_1502656_3224.html

    Encruzilhada da História - Aí Está o FMI!

    O que esperar? PECs infinitos. Com a entrada deste professor, deixarão de existir governo nacional, independência, democracia ou qualquer outra noção minimamente digna do que é uma nação ou povo. Fomos vendidos. Se até há pouco a maioria PS/PSD intercalava-se, um dizendo mata, o outro esfola, agora têm um pai acima deles que já só pensa o que vai fazer com os despojos do país. Porque muita da intervenção do FMI destina-se e tem o efeito desejado de fazer com que haja uma fuga de capitais dos países, seguida da privatização universal de bens e serviços (e pessoas). Ficarão os patrões no entanto a comprazer-se com o facto de serem agora os capatazes de todos nós que trabalhamos (ou desempregamos), com poderes acrescidos, pois agora haverá um ataque generalizado a todos os direitos laborais e humanos. É um ponto de largada para a concretização de uma utopia neoliberal - cada um por si, competição perfeita, a lei do mais forte e a eliminação/subjugação dos mais fracos.

    Encontramo-nos numa época historicamente crucial. Nós decidiremos o que será o nosso futuro, quer queiramos quer não.

    Da nossa inacção resultará a destruição de todos os direitos conquistados através do sangue, suor, lágrimas e vidas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Resultará o fim do Trabalho com direitos e a instituição inapelável da precariedade como única forma de sobreviver. Resultará o desemprego em massa que nos jogará uns contra os outros, numa desprezível corrida para o abismo. Resultará a corrosão da sociedade e dos elos de solidariedade que nos unem uns aos outros. Resultará a destruição dos direitos humanos e da dignidade individual e colectiva a que todos com justiça aspiramos. Resultará o fim da presunção que todos os seres humanos são iguais. Esta é a utopia neoliberal, em que nós nos degladiaremos para termos o privilégio de os servirmos pelo menor preço possível que garanta a nossa mera sobrevivência.

    Na nossa acção encontramos a luta das nossas vidas. É a luta pelas nossas vidas. É a luta pela nossa Humanidade. É a luta pela Humanidade do nosso povo, e dos outros povos. É a luta pelo futuro, que não aceita um regresso ao passado. É uma luta que já entendeu quem está de que lado. Que já entendeu que as mentiras repetidas inúmeras vezes não ser tornam nem se tornarão jamais verdades. Nada temos a perder. A Rua É Nossa. A História Somos Nós!


    João Camargo

    05/04/2011

    Argentina - Se mantiene empleos, pero a alto costo, y se favorece a monopolios

    Emilio Marín

    El gobierno nacional propagandiza sus subsidios a grandes empresarios. Dice que esos fondos reactivan la economía y crean empleos. Muchas veces son subsidios inapropiados y favorecen la concentración en el mercado.

    Todo es según el cristal con que se mire. Cuando a fines de los 90 el Estado otorgaba subsidios a los desocupados con Planes Trabajar, que luego de la crisis de 2001 tomaron el nombre del Plan Jefes y Jefas de Hogar, muchos empresarios dijeron que atentaban contra "la cultura del trabajo". No se ruborizaron, pese a que muchos habían sido responsables de que la desocupación saltara a dos dígitos.

    Esos mismos grupos económicos han aplaudido los subsidios que el Estado aplicó con diferentes ministros de Economía. Desde José Alfredo Martínez de Hoz hasta Amado Boudou, pasando por los más conocidos -Domingo Cavallo, José Luis Machinea, Roberto Lavagna-, los subsidios han beneficiado a los popes de la Unión Industrial, la Asociación Empresaria Argentina, la Fundación Mediterránea, la Cámara de Industriales Siderúrgicos y la Asociación de Fábricas de Automotores, entre otros.

    ¿Estado ausente?

    La justa crítica al Estado que se olvidó de los trabajadores y productores nacionales en esos años, acuñó la expresión del "Estado ausente". Ausente de esos sectores, pero muy presente para los monopolios que ampliaron sus fábricas, su producción, sus exportaciones, etc.

    Para no arrancar tan de atrás en esta historia, hay que recordar que Lavagna como ministro de Eduardo Duhalde y entre 2003 y 2006 de Néstor Kirchner, impulsó la ley 25.924, de Promoción de Inversiones, para que las empresas pudieran obtener la devolución anticipada del IVA y Ganancias de activos y obras.

    En dos tandas anuales, se aprobaron proyectos por 7.600 millones de pesos, con reintegros impositivos por 1.390 millones. ¿Habrá sido casualidad que el 70 por ciento de las iniciativas correspondieran a quienes aportaban a Ecolatina, la consultora fundada por Lavagna? En la lista estaban Aluar, Siderar, Acindar, Siderca, AGD, Alpargatas, Las Marías y Tenaris.

    Continuidad

    Esta línea se mantuvo luego que ese ministro fuera removido. En febrero de 2007 el gobierno de Córdoba anunció beneficios impositivos, rebaja del 25 por ciento de la electricidad y un subsidio de 400 pesos mensuales a cada empleado de la Fiat, hasta un tope de 2.200 pesos, que comenzaría la producción de una camioneta con el grupo hindú Tata. El proyecto se paró pero el grupo italiano fue premiado por el gobierno de Cristina Fernández con fondos del Bicentenario. Fiat iba a llegar a esa meta, sí o sí.

    Felisa Miceli también financió a la industria del software, dominada por las multinacionales, por 20 millones de pesos. El argumento fue que podría aumentar 10.000 empleos. Este sector ya tenía el beneficio de una desgravación del 70 por ciento en las contribuciones patronales y el 60 por ciento del impuesto a las ganancias. ¡Y después hacen tanto lío para subir el mínimo no imponible a los trabajadores con sueldos altos!

    Los subsidios hoy

    El gobierno de Kirchner continuó la política de subsidios estatales a las empresas privadas. ¿Acaso las privadas no pueden recibir subsidios? Por supuesto que sí, y en tantísimos casos pueden ser muy necesarios y correctos, pero no en la forma indiscriminada de tamaño y nacionalidad en que han sido implementados.

    Las empresas recuperadas por los trabajadores, que aún penan por una ley que les reconozca plenamente su existencia, son una de las tantas que necesitan créditos subsidiados para sobrevivir y ampliar sus actividades. Pauny, de Las Varillas, fue salvada de la crisis y vaciamiento empresarial de Zanello, y hoy es una de las principales fabricantes de maquinaria agrícola. Si hay subsidios a ella, o al Hotel Bauen, o a Cerámicas Zanón y tantas otras, no merecerían objeciones sino aplausos.

    Lo mismo si los subsidios de marras fueran a cooperativas, de las centenares de miles que existen en un país con fuerte tradición cooperativista. Aquí debería discernirse entre entidades pequeñas o medianas, de otras como el banco Credicoop, que figura entre las primeras diez entidades financieras. La presidida por Carlos Heller no parece estar necesitada de subsidios del Estado, que sin embargo ofrece a los bancos privados participar de la licitación del Fondo de Financiamiento del Bicentenario.

    Salvavidas

    Está bien que la mano del Estado ayude a las firmas pequeñas y medianas de capital nacional, habitualmente discriminadas por los bancos privados de aquí y más aún del exterior. Las firmas que reciben ese salvavidas externo son Arcor, Aceitera General Deheza y otras por el estilo.

    Si esos monopolios nacionales y los internacionales como Techint y las automotrices, se llevan la parte del león de los subsidios, entonces quedarán migajas para las otras firmas. Con el agravante de que esos grandes jugadores, con los subsidios recibidos, tendrán "espaldas más anchas" para imponer condiciones en el mercado.

    La administración Cristina Fernández ha continuado estos programas a favor de los empresarios. "La línea de créditos Bicentenaria ya tiene proyectos otorgados, aprobados y en estudio por 6.400 millones de pesos. En apenas cinco meses casi 250 iniciativas de inversión de empresas buscaron este financiamiento en condiciones muy ventajosas", escribió Roberto Navarro en Página/12, el domingo 3 de abril. El gastado argumento fue que así se crearán 7.300 empleos. Un poquito caros, parecen. Hay que sacar la cuenta...

    Poniendo en lugar equivocado

    El grueso de los subsidios continúa orientado a favor de las automotrices, alegando su impacto productivo y en el empleo. Lo último es una verdad menos que a medias, porque la estadística comprueba que este sector no empleó a más personal directo sino que exprimió al que tiene, elevando la productividad laboral un 34 por ciento. En 2010 la industria en general creció 9,7 por ciento, "pero el empleo sectorial sigue por debajo de 2008" (diario citado, martes 8 de marzo).

    El aval del Estado a las terminales tiene una gran contra: las diez fabricantes son de capital extranjero. Ninguna es nacional ni siquiera mixta, entre el Estado y las privadas. Se está subsidiando a multinacionales, como cuando con fondos de la Anses se prestaron 259 millones de pesos a General Motors Corporation.

    Nobleza obliga, en noviembre del año pasado los directivos de esa firma fueron recibidos por la presidenta y anunciaron que cancelaban ese crédito en forma anticipada.

    De cualquier manera la pregunta sigue en pie: ¿era el Estado argentino quien debía auxiliar al gigante norteamericano de todo el planeta? La presidenta está convencida de que sí. Por eso en abril de 2010 la ministra Débora Giorgi se reunió con representantes de la Asociación de Fabricantes de Automotores (Adefa) y la Asociación de Fabricantes de Autocomponentes (Afac). Les confió que habría financiamiento con aportes de la Anses por 300 millones de pesos "para el conjunto de la cadena automotriz: las terminales, autopartistas y sistemistas".

    Ayuda estatal

    Esa política pro-empresaria está decidida por el máximo nivel del Estado. El 2 de noviembre del año pasado, al reaparecer en un acto público tras la muerte de su esposo, Cristina Fernández habló en Renault y dijo: "Cuando todo se derrumbó, estuvo el Estado Argentino para ayudar a la industria y al empleo, destinando 500 millones de pesos para que las empresas no despidan trabajadores y se pueda mantener el empleo".

    Se estaba refiriendo a un subsidio directo del Estado, llamado Recuperación Productiva (Repro) que funciona en el ámbito del Ministerio de Trabajo. El mismo paga un monto de 600 pesos mensuales a cada operario de una empresa en crisis, durante doce meses, a condición de que no eche personal. Conviene recordar que una cosa es ayudar de ese modo a una firma nacional pequeña y mediana, incluso a una grande en ciertos momentos, y otra muy diferente es hacerlo con los diez jugadores extranjeros de Adefa.

    La jefa de Estado fundó ese apoyo millonario en que "el sector automotor es el segundo bloque exportador del país, detrás del granario". Otra verdad menos que a medias. No se puede ver solamente lo que exporta ese sector sino también lo que importa. Esa balanza comercial arrojó en 2010 un déficit de 5.800 millones de dólares, por la importación de autos y autopiezas.

    La industria automotriz "argentina" lleva comillas: tiene todas terminales extranjeras, provoca alto déficit comercial y las piezas de fabricación local no llegan al 40 por ciento. Esto último es algo que recién ahora CFK y Giorgi tratan de remediar, requiriendo a las empresas que exporten por cada dólar que importan. Difícil que les lleven el apunte, acostumbradas como están estos monopolios a que los mimen como protagonistas del "modelo productivo con inclusión social".

    http://www.argenpress.info/2011/04/se-mantiene-empleos-pero-alto-costo-y.html

    Protest slams New York budget cuts

    New York Gov. Andrew Cuomo has decided that the alleged $10 billion budget deficit in the state will be settled by cutting vital public services, like Medicaid and education, and eliminating public employees’ jobs. However, the highest earners making more than $200,000 a year will get a tax reduction.
    Via televised address on his web page, Cuomo announced, “I won’t compromise on this issue.”
    By his actions he is refusing to bargain with state employees and others affected by these drastic cuts.
    These budget cuts will greatly affect the City University of New York. A major part of CUNY’s funds come from the state. The system’s senior colleges will lose $95.1 million and its community colleges will lose $17.5 million if the budget passes as it has been proposed without changes.
    The PSC, an American Federation of Teachers local that represents 20,000 CUNY faculty members and staff, organized a direct-action protest to stop these crippling cuts at the New York state Capitol.
    Chanting “Tax the rich, not the poor!” and “No cuts to CUNY,” five busloads of PSC members and supporters from community groups, schools and colleges went to Albany on March 23. They marched into the Executive Chamber and sat down in front of Cuomo’s office, blocking access. Thirty-three participants were arrested.
    Professional Staff Congress President Barbara Bowen, who was one of those arrested, said: “We made the decision to risk arrest because we cannot allow the injustice of this budget to stand. We have lobbied, rallied and written in support of a fair budget, but our voices have not been heard. Albany is on the verge of passing a budget that is so damaging to our students and so fundamentally unjust that we had to take a stand. “
    As she was led away in handcuffs, Susan DeRaimo, an adjunct teacher in the English as a Second Language program at City College, told Fox23 Albany News, “My students — taxi drivers, home health aides — should be able to go to CUNY for free like I did.”
    Six students were arrested along with 27 PSC members. They all were charged with disorderly conduct and released after a few hours with a desk appearance ticket.
    State Sens. Ruben Diaz Sr. of the Bronx and Bill Perkins of Bedford-Stuyvesant briefly took part in the protest, which got wide press coverage in New York and around the country.
    For more information on upcoming PSC actions, see www.psc-cuny.org.

    http://www.workers.org/2011/us/ny_budget_cuts_0407/

    Jerónimo de Sousa diz que Estado deve renegociar dívida pública nacional

    Une banque américaine a blanchi 380 milliards de dollars des cartels mexicains

    Napakatbra

    Un géant bancaire américain, Wachovia, est au coeur d’un des plus gros scandales de blanchiment d’argent sale de tous les temps. 380 milliards de dollars issus du trafic de drogue seraient passés par ses succursales, en toute impunité. Une bombe à fragmentation balancée hier par le Guardian.
    La banque a fait l’objet de poursuites judiciaires acharnées. Et comment ! En Mars 2010, en vertu de la loi américaine sur le secret bancaire, Wachovia et l’administration américaine ont signé un accord amiable, resté secret jusqu’ici : 110 millions de dollars d’amende pour avoir autorisé des transactions relatives à des trafics de drogue et 50 millions pour avoir échoué à surveiller les mouvements de capitaux utilisés pour le transport de 22 tonnes de cocaïne. Et... c’est tout ! Aucun dirigeant n’a jamais été inquiété à titre personnel.

    Du "too big to fail" au "too big to jail"...

    Pourtant, l’enquête a montré que Wachovia était au courant de ces petits trafics depuis 2004. Entre 2006 et 2007, la banque a même fait l’objet de 6 000 à 7 000 procédures de redressement, mais ça n’a pas eu l’air de gêner grand monde. "Un nombre absurde", selon Martin Woods, un employé londonien de la banque embauché pour lutter contre le blanchiment. Dans ces conditions, comment se peut-il que la direction n’ait pas eu "le sentiment que quelque chose allait très, très mal ?" Heinh, comment ? D’ailleurs, à plusieurs reprises, ce Woods a balancé des rapports incendiaires à sa hiérarchie, car le pot aux roses n’était finalement pas si difficile à mettre à jour... Mais ça n’a pas eu l’air de gêner grand monde.

    Coke en stock

    En mai 2007, suite aux pressions exercées par le ministère de la justice des États-Unis, Wachovia décide d’interrompre ses relations avec certains de ses bureaux de change mexicains. Mais plutôt que de lancer une enquête interne, comme le veut l’usage, la banque choisit de faire l’autruche. Un peu plus tard, les médias américains évoquent (timidement) l’affaire. Wachovia prend alors la lourde décision de cesser toutes ses activités au Mexique. Mais toujours pas d’enquête. Pire, en juin 2007, Woods apprend que ses alertes ont été volontairement cachées aux autorités américaines et britanniques. Et le trafic a pu continuer comme si de rien n’était...
    Ç’en est trop ! Fin 2007, Martin Woods se retrouve dans les locaux de Scotland Yard. Là, il se rend compte que personne n’a encore pris la mesure du scandale. Alors il balance tout. C’est à ce moment là que tout bascule et les autorités américaines et britanniques ne lâcheront plus l’affaire. Alors... pourquoi une si faible amende ? Pourquoi aucune action pénale ? Quelques indices :
    - En janvier 2010, Antonio Maria Costa, directeur de l’Office des Nations unies contre la drogue et le crime (ONUDC), a déclaré que le plus gros de l’argent issu du trafic de drogue avait été sciemment blanchi par les institutions financières. Courant 2008, il a ainsi reçu la preuve que les profits de la criminalité organisée ont été "la seule source de liquidités" pour certaines banques au bord de la faillite. "Les prêts interbancaires ont été financés par l’argent du trafic de drogue et d’autres activités illégales... Il y a des signes qui indiquent que certaines banques ont été sauvées de cette façon" a-t-il déclaré. En clair, le trafic de drogue a participé à sauver l’économie mondiale.
    - Robert Mazur, ancien responsable américain de la lutte contre les cartels sud-américains, a déclaré au Guardian que "beaucoup d’agents ont été déçus de voir un règlement" à l’amiable entre l’administration et Wachovia. "Mais, a-t-il continué, je sais qu’il y a eu des circonstances extérieures qui ont travaillé au profit de Wachovia, notamment le fait que le système bancaire américain était au bord de l’effondrement".
    Le trafic de drogue serait-il l’opium des banques ?

    http://www.altermonde-sans-frontiere.com/spip.php?article16353

    "Les entreprises ne savent plus ce qu'elles font"

    Source : La Tribune.fr

    Adieu le fameux contrat gagnant-gagnant. Dans l'interview qu'il nous a accordée à l'occasion de la sortie de son livre "Lost in Management", le sociologue François Dupuy explique que "les entreprises s'enfoncent dans un jeu perdant-perdant avec leurs salariés". Un propos en forme d'électrochoc à destination des dirigeants.
    Copyright Reuters
    Copyright Reuters Copyright Reuters
    Vous lancez une sorte de cri d'alarme dans votre livre "Lost in Management". Faut-il faire le procès du management des trente dernières années ?
    Non pas le procès, mais amener les entreprises à regarder les choses en face. Elles sont en train de se fourvoyer. Pour faire face à la nécessité de garder tous les comportements sous contrôle, surtout avec la crise, les entreprises ont accentué leurs moyens de coercition. Tous ces process, ces systèmes de "reporting", c'est de la coercition destinée à garder les salariés sous contrôle. Or le résultat obtenu produit l'effet inverse : les entreprises perdent le contrôle d'elles-mêmes. C'est le constat que j'ai pu faire au terme de mes missions de terrain et de 800 entretiens. Il s'agit en fait de ce que j'ai nommé "un taylorisme relooké". Cette idée qui préside à l'administration publique dans laquelle on cherche à appliquer toutes les règles et qui revient à une forme de grève du zèle. En anglais, d'ailleurs, on parle de "working to rule". Au lieu de "motiver" les salariés, de les amener à s'engager pour leur entreprise, ces techniques provoquent le retrait et la rébellion active ou passive. Plus l'entreprise cherche à contrôler et à mettre la pression, plus les salariés, cadres y compris, se réfugient dans des investissements alternatifs, la famille par exemple, qui viennent compenser la dureté du monde du travail. Mieux : le délire des processus, des "reportings" et des indicateurs finit par recréer des zones de liberté pour les salariés tant ils deviennent contradictoires les uns avec les autres et laissent ainsi les acteurs libres de décider ce qu'ils doivent appliquer ou non. Au final, on assiste à un "mix" d'anarchie et d'obéissance sélective (je choisis ce à quoi je décide d'obéir) qui mène au désinvestissement. Cette bureaucratie annule de fait le rôle de l'encadrement de proximité qui n'a du coup plus d'effet de levier. Les entreprises s'enfoncent dans un jeu perdant-perdant avec leurs salariés.
    Vous avez, dites-vous  voyagé à travers une vingtaine de cas, sorte d'expédition dans le monde des entreprises. Que faut-il garder ? Et à quoi faut-il renoncer ?
    Le monde de l'entreprise n'est pas un monde blanc ou noir. Il est souvent contradictoire et plein de contrastes. Ainsi, dans une même entreprise, peut-on identifier quelques-unes de ces fameuses poches de "sous-travail" à côté de zones de « surtravail » parfois génératrices de désastres psychosociaux. La vie de ces organisations ne doit pas se prêter à une lecture idéologique. Au contraire. Car l'idéologie, celle du langage managérial, masque souvent la réalité, elle empêche même d'écouter. Quand sont apparus les phénomènes de souffrance au travail, on a bien compris que les problèmes d'organisation étaient liés aux modes de fonctionnement. Mais pour ne pas avoir à se remettre en cause, les entreprises ont individualisé et médicalisé les problèmes pour n'en gérer que les effets et surtout ne pas s'intéresser aux causes. Or, l'enjeu est aujourd'hui collectif et non individuel. Tant qu'on travaillait en silo ou en séquentiel, il y avait moins de pression. Les organisations transversales sont devenues terribles et ont fait des autres un enfer. Mais l'idée qu'une entreprise pourrait fonctionner sans règles n'est pas jouable. Tout le problème réside dans le fait de décider de l'endroit où on met le curseur. Les entreprises n'ont pas su arrêter l'engrenage dans lequel elles sont rentrées. Elles ont alourdi leurs systèmes au lieu de les alléger, les rendant de plus en plus stressants et incontrôlables. Prenez le PDG de cette grande entreprise de matériel électrique. Il vient de demander que l'on réduise les critères de performance d'au moins 30 % pour baisser le régime. Or c'est une entreprise qui avait tout fondé sur l'« entrepreneurship ». Ils ont compris qu'ils tuaient leur martingale en enserrant leurs salariés.
    Comment réconcilier les Français avec le travail et plus particulièrement avec le monde de l'entreprise ? À quel horizon voyez-vous une amélioration ? Et dans quelles conditions ?
    Les Français se sont beaucoup interrogés sur la baisse de la valeur travail. C'est naïf et au pire manipulatoire. Car c'est le travail lui-même qui s'est détérioré, que ce soit en France ou à l'étranger. En France, nous sommes bien plus bureaucratiques que les Américains. Là où un Américain fait dix "process", un Français va en mettre trente en place. Résultat : le détricotage sera long et douloureux. La reprise en main devrait se faire encore attendre, le temps nécessaire de se rendre compte que les techniques employées ne sont guère efficaces. Cela est peu surprenant tant ce qui domine dans l'histoire des entreprises et du monde - de Taylor à Orwell - est plutôt la tentation de mettre les comportements sous cloche, sous contrôle. Les entreprises se sont tournées vers la coercition au même moment où les sociétés se démocratisaient. Le degré de liberté a augmenté dans la société civile pendant que celui-ci a baissé dans les entreprises. Raison pour laquelle cela peut durer encore longtemps. Sans compter qu'avec notre système de grandes écoles la distance entre les dirigeants et les salariés est énorme : les patrons sont censés tout savoir et ne relèvent pas toujours de la sphère des mortels. Les ramener à plus d'humanité, ce serait leur faire accepter qu'ils ne savent pas tout et, pour certains, arrêter de confondre management et communication. Mais pour cela, il faut qu'ils apprennent à faire confiance. Certains commencent à réaliser qu'il va falloir desserrer l'étau, ne serait-ce que pour récupérer un peu d'investissement dans le travail. Propos recueillis par Sophie Péters
    Derniers ouvrages parus : "Lost in Management" (2011), "la Fatigue des élites" (2008).

    http://www.latribune.fr/entreprises-finance/20110401trib000612048/les-entreprises-ne-savent-plus-ce-qu-elles-font.html 

    Le baromètre est en baisse pour la première fois depuis le début de la crise en 2008...

    Les salariés n’ont jamais été aussi peu satisfaits et peu motivés au travail. Moins d’un salarié sur trois se dit «souvent» heureux au travail, selon le baromètre Ipsos/Edenred (*) que le quotidien La Tribune publie mardi.
    Salaires qui stagnent
    La faute d’abord à des salaires qui stagnent alors que les prix flambent. Mais les sondés se plaignent également de ne pouvoir se projeter dans un avenir professionnel, et estiment que leurs compétences ne sont pas pleinement utilisées dans le cadre de leur travail.
    Pire, le baromètre créée il y a cinq ans est en baisse pour la première fois depuis 2007. Antoine Solom, directeur général adjoint d'Ipsos Loyalty, s’inquiète et rappelle que «pendant la crise, nous avons été surpris de voir que la dimension bien-être au travail était peu affectée. C'était porteur d'espoir». Mais, aujourd'hui, «on voit que ce n'est plus le cas. Le bien-être au travail s'érode», conclut-il.
    Thibaut Schepman
    (*) Sondage réalisé auprès d'un échantillon représentatif de 4.000 salariés français, à lire sur le site du quotidien La Tribune

    http://www.20minutes.fr/article/700991/economie-deux-salaries-trois-heureux-travail

    João Sentieiro diz que "não há fuga de cérebros para o estrangeiro"

    O presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), João Sentieiro, voltou a defender que não há “fuga de cérebros” para fora de Portugal, que é “um país atractivo para investigadores estrangeiros".

    Durante o «Primeiro Encontro da comunidade científica» do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), que decorreu no final do mês passado, este professor defendeu que o número de jovens que saem para estudar e não regressa é “uma percentagem muito pequena”.

    A desmentir esta imaginação fértil vem o Observatório da Emigração que confirma que nenhum outro país da OCDE despacha maior percentagem de pessoas com formação académica avançada que Portugal para o estrangeiro, à excepção da Irlanda

    Um estudo de 2006 confirma que Portugal "exporta" um em cada cinco dos seus alunos graduados nas universidades portuguesas, em parte devido à falta de condições laborais e respeito que os investigadores científicos recebem.

    Resta saber em que números João Sentieiro se baseia.

    Política - Jerónimo propõe que instituições públicas vendam títulos e obrigações para a compra de dívida pública - RTP Noticias, Áudio

    Economia - Aumentou o número de famílias endividadas em Portugal - RTP Noticias, Vídeo

    Economia - Aumentou o número de famílias endividadas em Portugal - RTP Noticias, Vídeo

    Imigrantes Idosos: uma nova face da imigração em Portugal

    Machado, Fernando Luís e Cristina Roldão (2010), Imigrantes Idosos: uma nova face da imigração em Portugal, Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI).

    Os imigrantes idosos em Portugal ascendem aos 35 mil, número pouco significativo no conjunto da população idosa, mas que tenderá a crescer nos próximos anos. Os imigrantes idosos africanos, a quem este estudo dedica uma particular atenção, representam uma parte considerável desse número e estão numa situação de maior vulnerabilidade social e risco de pobreza; os autores prevêem que esta situação se mantenha no futuro.
    A obra Imigrantes Idosos: uma nova face da imigração em Portugal, promovida pelo Observatório da Imigração, debruça-se sobre um fenómeno pouco abordado nos estudos sobre migrações: os imigrantes idosos. A investigação é feita com base numa análise quantitativa (utilizando fontes estatísticas oficiais) e qualitativa (com base em vinte e três entrevistas a imigrantes idosos africanos).

    Os autores começam por fazer uma revisão da literatura nacional e internacional sobre envelhecimento e idosos nas sociedades contemporâneas em geral, e sobre migrações e imigrantes idosos em particular, partindo depois para a definição de “Perfis sociais de imigrantes idosos em Portugal” (p. 35). Recorrendo a uma análise dos Censos 2001, os imigrantes são categorizados em cinco grandes grupos: UE 15 (39,2%), PALOP (34%), Índia (7,2%), Brasil (4,5%) e outros países (15,1%). Procurando caracterizar os imigrantes idosos em Portugal e compará-los com os idosos em geral, identificar diferentes segmentos de imigrantes idosos e dar conta da desigualdade de género entre imigrantes idosos, são apresentados dados de caracterização sociodemográfica e profissional destes grupos: óbitos, idade média de ocorrência de óbitos, sexo, escalões etários, estado civil, nível de habilitações, principal meio de vida, condição perante o trabalho, categoria socioprofissional, etc.

    A principal conclusão desta análise quantitativa é que há diferentes tipos de imigrantes idosos em Portugal. Um primeiro tipo, híbrido, é composto sobretudo por reformados e activos com posições profissionais privilegiadas. Chegam com bons recursos económicos de outros países da UE, especialmente dos países mais ricos do Norte. O segundo tipo de imigrantes idosos refere-se a pessoas provenientes dos PALOP que chegaram a Portugal nos anos sessenta e setenta do século passado e que cá envelheceram. Encontram-se numa situação desfavorecida e vulnerável à pobreza, já que não alteraram significativamente a sua condição social, marcada por inserções profissionais desqualificadas e mal remuneradas. Parte deles depende do apoio da família e outros continuam no mercado de trabalho para além da idade esperada, revelando a insuficiência das pensões de reforma como forma de subsistência. Dentro deste segundo tipo, há dois pequenos grupos que se distinguem: as mulheres que chegaram em anos mais recentes, já com uma idade avançada, para se reunirem à família e procurarem cuidados de saúde de que não dispõem no país de origem; e os indivíduos e famílias com mais recursos escolares e profissionais, com níveis de rendimento médios, possuidores da nacionalidade portuguesa, chegados sobretudo de Angola, Cabo Verde e Moçambique na sequência da descolonização, em meados dos anos setenta. O terceiro tipo de imigrantes idosos identificado pelos autores é o dos imigrantes indianos, em que é possível distinguir, por um lado, os empresários e dirigentes de pequenas e médias empresas na área comercial e, por outro, os profissionais científicos e técnicos onde se destacam os naturais de Goa (que chegaram no contexto da descolonização). O quarto e o último tipo apresentado é um grupo heterogéneo de brasileiros, que inclui três perfis distintos: (a) Imigrantes profissionais, com escolaridade média e alta, que chegaram a Portugal entre o final dos anos oitenta e o início dos aos noventa para trabalhar em profissões qualificadas; (b) Imigrantes laborais, com escolaridade mais baixa, que chegaram na segunda vaga da imigração brasileira, no final dos anos noventa, e que têm empregos mal remunerados; (c) Indivíduos que estão em Portugal há muito tempo, desde os anos sessenta ou setenta; alguns foram refugiados da ditadura militar.

    Relativamente aos imigrantes idosos africanos, o segundo tipo acima identificado, a maioria é oriunda de Cabo Verde. Representam uma parcela ínfima do total de idosos, mas têm um grande potencial de crescimento: dentro de vinte anos, as dezenas de milhar de imigrantes africanos que chegaram entre finais dos anos oitenta e meados dos anos noventa e que ainda não são o idosos, já o serão.

    Na parte da análise qualitativa, os autores centram-se nos imigrantes idosos dos PALOP, distinguindo-os por país de origem. Recorrendo à análise de 23 entrevistas a idosos africanos realizadas em vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa e da Península de Setúbal, os autores delinearam retratos sociológicos em que é considerada a situação social de cada idoso, a múltiplos níveis, e reconstituíram o seu passado, no que respeita à vida profissional, aos eventos familiares e ao trajecto migratório.

    A análise das entrevistas e o recurso à literatura teórica e empírica permitiu a construção de uma tipologia, com cinco categorias de imigrantes idosos, construídas em torno de um eixo socioeconómico (pobreza vs. conforto socioeconómico) e de um eixo de envelhecimento (inactivo e isolado vs. activo e integrado). Essas categorias são: (1) “Velhice pobre socialmente excluída”: habitualmente com maior incidência em indivíduos do sexo masculino, muitas vezes com problemas de alcoolismo ou de saúde; são pessoas que passaram por uma ruptura ou erosão dos laços familiares; (2) “Velhice pobre familiarmente enquadrada”: estes idosos, embora tenham baixos rendimentos, sejam dependentes de apoios estatais de emergência, tenham problemas de saúde e sociabilidades restritas, distinguem-se dos da categoria anterior por terem um enquadramento familiar estável; são apoiados por filhos, genros ou netos, que respondem às suas necessidades materiais, relacionais e afectivas; (3) “Velhice pobre socialmente integrada”: as condições socioeconómicas dos idosos deste grupo não são qualitativamente diferentes das dos anteriores; são, também, pobres, embora com rendimentos médios um pouco mais elevados e com uma menor dependência de prestações sociais; a diferença desta categoria relativamente às anteriores é que está não só familiarmente enquadrada, como também socialmente integrada: alguns destes idosos ainda trabalham, os outros saem, convivem com os vizinhos, vão à igreja ou à mesquita, tratam das hortas, etc.; são pessoas menos afectadas pelas doenças, mais saudáveis; (4) “Velhice confortável socialmente activa”: esta categoria representa um salto qualitativo na condição social dos idosos; em termos socioeconómicos, correspondem a imigrantes com um perfil minoritário: têm origens sociais mais favorecidas, mais qualificações escolares e tiveram ou ainda têm ocupações profissionais qualificadas; são os que mais desenvolvem actividades fora do espaço doméstico e familiar, actividades em que aplicam e valorizam os seus capitais escolares, culturais e profissionais; não têm grandes problemas de saúde; (5) “Velhice confortável isolada”: tal como os indivíduos da categoria anterior são oriundos de classes mais favorecidas; embora tenham boas condições materiais e de saúde, vivem fechados sobre si mesmos, muitas vezes por causa da dificuldade em lidar com a mobilidade social descendente, já que são pessoas que viram o seu capital económico alterar-se com o processo de descolonização.

    Os autores concluem que não há uma, mas várias velhices imigrantes. Os actuais imigrantes idosos africanos encontram-se numa situação particularmente vulnerável à pobreza e à exclusão social. As pensões de reforma não têm plena correspondência com a duração dos trajectos profissionais e os montantes dos salários auferidos; isto porque as carreiras contributivas foram curtas e irregulares (como, aliás, acontece com muitos idosos portugueses). Assim, se os salários já não eram altos, as pensões são ainda mais baixas. A estrutura familiar de apoio surge neste contexto como fundamental e está presente em grande parte dos casos, mas não em todos.
    A velhice imigrante pobre reflecte dinâmicas de exclusão dos imigrantes africanos em Portugal. Ainda assim, o regresso aos países de origem não surge como uma possibilidade para estes imigrantes: seja porque as condições de vida  em Portugal são melhores dos que as que teriam se regressassem ao país de origem, seja porque há filhos e netos em Portugal, seja porque depois de décadas neste país, já pouco laços existem com o país de origem.

    Os autores terminam fazendo algumas recomendações às autoridades públicas e privadas de intervenção social: necessidade de uma maior disseminação da informação sobre os apoios sociais existentes; promoção de uma maior divulgação dos direitos e procedimentos relativamente às carreiras contributivas; disponibilização, preventiva, de informação e apoio jurídico sobre as implicações do trabalho em regimes informais; fomento de actividades de promoção de envelhecimento activo; criação de respostas relativamente à reunificação familiar para os imigrantes que estão sozinhos e não conseguem reunir a família em Portugal.     

    Margarida Carvalho
     
    http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=publications&lang=pt&id=102
    Related Posts with Thumbnails