À procura de textos e pretextos, e dos seus contextos.

14/07/2009

Malparado das famílias em nível recorde

A dificuldade em cumprir com as obrigações é cada vez maior para as famílias e empresas. O crédito malparado continua a aumentar e a atingir níveis históricos. Ao mesmo tempo, a concessão de crédito continua a abrandar, com os particulares e empresas a adiarem projectos e os bancos a travarem o ritmo de concessão para se protegerem de novos incobráveis.

As famílias devem à banca mais de três mil milhões de euros de empréstimos que ficaram por liquidar. O crédito malparado encontra-se no nível mais alto desde Fevereiro de 1999 (2,58%).
J. Negócios - 14.07.09

Vivem sem luz ao lado de eólicas

Em Casas da Serra, Boticas, ainda não há luz eléctrica. Os únicos dois habitantes, os irmãos Ferreira, remedeiam-se com uma candeia a gás. A dois quilómetros, um parque eólico produz energia para 24 mil habitantes.

Manuel, de 45 anos, "estranha mais" porque já conheceu outro mundo. Foi emigrante em França. Agora anda à jeira pelas redondezas. José, de 39, nem tanto. Nunca saiu de Casas da Serra, no concelho de Boticas. Dedica-se à agricultura e limpa caminhos para a Junta de Freguesia.

Os irmãos Ferreira são os únicos habitantes deste lugar literalmente encravado na serra. Tão encravado que a luz eléctrica nunca ali chegou. Ironicamente, a pouco mais de dois quilómetros, em linha recta, um parque eólico produz 47 gigawatts, energia suficiente para um consumo anual de 24 mil habitantes.

"Às vezes", ao olhar para os aerogeradores, que vê desde a sua casa", José pensa nisso. De pouco lhe adianta. Ao que o Jornal de Notícias conseguiu apurar junto da EDP, proprietária do parque, a hipótese de levar energia a partir dos serviços auxiliares do parque até à casa dos irmãos Ferreira não é viável por causa da distância. "Chegaria lá muito fraquinha. Só dava se fossem uns 500 metros". Por seu lado, a energia produzida no parque sai a uma voltagem muito elevada. Entra na rede na sub-estação de Morgade, já no concelho de Montalegre.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Campos, prometeu resolver a situação "no Outono" e em parceria com a EDP. Ao que tudo indica, será criado um ramal a partir de uma linha de média tensão que existe a menos de um quilómetro. O investimento rondará os 25 mil euros.

Se a promessa for cumprida, e a luz eléctrica chegar, finalmente, José já tem duas aquisições em mente. Um frigorífico, "para meter a carne e o peixe", e uma televisão. Agora, compra comida à medida. "Só levo de um dia para o outro", explica. Televisão, só vê quando vai, a pé, ao café a Cerdedo, a aldeia mais próxima. Quando não vai, distrai-se com um rádio a pilhas. Costuma ouvir a Rádio Forum Boticas e a Rádio Montalegre, "que também apanha".

Nesta vida de escuridão, que atenua com um candeeiro a gás, o que mais lhe custa é "passar" as longas noites de Inverno. "Uma pessoa deita-se cedo e custa muito a passar as horas", lembra José. Mudar para outro local, nem pensar. "Se fosse para Boticas, tinha que pagar casa, ao menos aqui estou na minha", diz.

Mas, se tivesse dinheiro, José gostava de recuperar as casas que estão a cair aos bocados, incluindo a sua. Para turistas. "Aos domingos vem cá muita gente. Dizem que isto é muito bonito". E é. Para passear. Para viver, é um inferno.

J.N. - 14.07.09

Cada vez mais polícias compram material à sua custa

O medo de serem agredidos ou baleados está a levar cada vez mais polícias a gastar do seu bolso para comprarem equipamento de protecção. Há empresas que fazem descontos e deixam pagar a prestações.

Os agentes da PSP e militares da GNR estão a comprar, às próprias custas, equipamento básico de protecção pessoal que não está a ser garantido pelos comandos. Chega ao ponto de as maiores estruturas sindicais destas forças de segurança terem feito acordos com empresas privadas para conseguirem descontos e facilidades de pagamento a prestações.

Segundo informação recolhida pelo DN, estas aquisições aumentaram 40% no último ano e os pedidos de informação duplicaram.

"A partir do momento em que os polícias começaram a assistir ao aumento do crime violento e a ver colegas a morrer e a ficarem feridos, instalou-se um grande sentimento de insegurança e a necessidade de se sentirem mais protegidos", explica Paulo Rodrigues, presidente a ASPP (Associação Sindical de Profissionais de Polícia). Dá como exemplo o Corpo de Intervenção, uma unidade de elite da PSP, ao qual pertence, cujos elementos compraram "vário material à sua conta, incluindo coletes anti-balas". O sindicalista diz que "há destacamentos do CI que caso tenham de sair todos para uma operação não têm coletes para todos. Por isso houve elementos que sentiram necessidade de os comprar". E não são baratos (ver imagem ao lado).

Para responder "a estas preocupações, cada vez mais frequentes, dos polícias", a ASPP fez um acordo com uma empresa da especialidade - por sinal a mesma vende para o ministério da Administração Interna (MAI) - para que os associados "pudessem adquirir o equipamento com garantia de qualidade e com facilidades de pagamento".

Quer a ASPP quer a Associação Profissional da GNR (APG) garantem que não "ganham nada com o negócio". O dirigente da APG, José Manageiro, lamenta que "se chegue a este ponto: como o Estado não cumpre as suas obrigações nesta matéria, têm de ser os profissionais a pagar do seu bolso a protecção da própria vida". "Os decretos-lei não desviam as balas e se não for assim não se sentem protegidos", acrescenta.

O MAI remete a responsabilidade para a PSP e GNR. O porta-voz lembra que "as verbas para equipar as Forças de Segurança saem do Orçamento de Estado proposto pelo Governo e aprovado pela Assembleia da República, cuja execução é assegurada pelo MAI. A actividade respeitante à organização, gestão e aquisição de meios e equipamentos é da competência da Direcção Nacional da PSP e do Comando-Geral da GNR".

Se houvesse dúvidas sobre o sentimento de insegurança dos polícias elas são eliminadas com o "aumento de 40% nas encomendas, só no último ano", segundo o director da empresa que fez o protocolo. "Num ano de crise as nossas vendas dispararam e 97% dos nossos clientes são polícias", sublinha Carlos Amaro.

O sucesso do "kit policial" foi tal que vai ser lançada uma nova campanha que aumenta de 13 para 35 elementos o conjunto de protecção pessoal que este empresário considera "básico" para um polícia. Das simples algemas, aos coldres, passando por botas, até ao colete balístico, tudo pode ser adquirido em prestações. O "kit" total custa cerca de 1260 euros.

D.N. - 14.07.09

Antigos gestores da Ceres condenados a trabalho comunitário

O Tribunal de Coimbra condenou a antiga administração da Cerâmica Ceres por retenção indevida de descontos dos trabalhadores para a Segurança Social. As penas oscilam entre multas e trabalho comunitário, refere o Jornal de Notícias desta terça-feira.

A acção foi interposta pela Segurança Social, face à não entrega dos descontos feitos pelos operários, entre Junho de 2005 e Setembro de 2006, no valor de 223 mil euros. Os cinco antigos sócios-administradores responderam pelo crime de abuso de confiança.

Ontem, três deles - incluindo o actual administrador, Francisco Lemos - foram condenados a trabalhar em prol da comunidade; os restantes, a pagar multas.

Em causa esteve uma "opção consciente de gestão contrária à lei", no dizer do juiz José Quaresma, porque foi dada "primazia" à manutenção dos postos de trabalho, em detrimento das obrigações para com a Segurança Social. E é "uma situação que configura a prática de um crime".
D.D. - 14.07.09

Primeira greve transfronteiriça pode acontecer nos ENVC

O coordenador da União dos Sindicatos de Braga (USL/CGTP), Adão Mendes, disse à agência Lusa que em breve se poderá concretizar, nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), a primeira greve transfronteiriça.

«Se isto acontecer, será uma novidade e será resultado da globalização», afirmou o sindicalista referindo o conflito laboral latente no sector metalúrgico espanhol devido ao impasse negocial do respectivo contrato colectivo.

Este conflito já levou à realização de várias greves e até confrontos na Galiza.

D.D. - 14.07.09

13/07/2009

Un milliard de personnes sous-alimentées

Plus d’un milliard de personnes demeurent sous-alimentées dans les pays pauvres, dont 640 millions en Asie.

Plus d’un milliard de personnes demeurent sous-alimentées dans le monde, indique la Food and Agriculture Organization (FAO), organisation des Nations Unies en charge des questions d’alimentation (lire en ligne). Le pourcentage de personnes sous-alimentées est le plus fort en Afrique subsaharienne (30 %). Mais l’Asie, plus peuplée, compte le nombre le plus important de sous-alimentés (642 millions).

En 1996, les Etats membres des Nations Unies s’étaient engagés à réduire de moitié (soit de 400 millions, en prenant comme référence la période 1990-92) le nombre de personnes sous-alimentées en 2015 au plus tard. L’objectif ne sera pas atteint. De nombreuses raisons expliquent la situation de ces pays. Les catastrophes naturelles, les guerres, les pandémies font basculer des pays déjà fragiles et désorganisent la production vivrière (qui fournit des produits alimentaires destinés principalement à la population locale). Les structures du développement lui-même sont en cause : dans les mêmes pays se côtoient des paysans pauvres et des cultures modernes d’exportations. Enfin, la corruption et l’accaparement des ressources par une minorité favorisée empêchent une répartition équitable.

Alors que la situation alimentaire mondiale était plutôt en amélioration, la récession économique renverse la situation. Les prix des denrées baissent, mais la diminution est loin de compenser la hausse de 2007-2008. En même temps, les flux de soutiens (aides publiques, investissements privés, transferts des migrants, etc.) se tarissent et les exportations ralentissent.

Nombre de personnes sous-alimentées

En millions
1990-92
En millions
2009
En %
1990-92
En %
2003-05
Asie et Pacifique569,76422016
Afrique subsaharienne1692653530
Amérique latine et Caraïbes59,453138
Proche-orient et Afrique du Nord254288
Pays développés23,41565

Total823,11 020,02013
Les données rapportées à la population de chaque zone ne sont pas disponibles pour 2009.
Source : FAO - Estimations pour 2009
Observatoire des Inégalités - 13.07.09

A nouveau sur la part des salaires

Michel Husson

QUITTE À LASSER, IL FAUT REVENIR SUR LE FAMEUX DÉBAT SUR LA PART DES SALAIRES. On assiste en effet à la formation d’un discours dominant qui, de Laurence Parisot à l’Insee, en passant par Alternatives économiques, Le Monde ou Libération (1) insiste sur le fait que « depuis vingt ans, le partage de la valeur ajoutée apparaît plutôt stable ». A ce compte-là, le taux de chômage en France s’est « stabilisé » autour de 9 % depuis près de trente ans : faut-il pour autant s’en satisfaire ? Oui, la part des salaires est stable, mais à un niveau historiquement bas, et ce n’est pas parce que les salariés sont spoliés depuis vingt ans que cette situation est socialement et économiquement acceptable. Avant la récession de 1974-1975 la part salariale était supérieure de 5 points à ce qu’elle est aujourd’hui, et par rapport au pic de 1982, la différence est de 10 points. On retrouve les mêmes ordres de grandeur si l’on raisonne sur l’ensemble de l’économie et non plus sur les seules sociétés non financières. C’est ce que montrent les statistiques de la Commission européenne, sur lesquelles travaillent des institutions aussi subversives que l’OCDE ou le FMI. Enfin il faut rappeler que cette stabilité s’explique aussi par la « chance » qu’ont eue les salariés français d’avoir un gouvernement de gauche qui a fait baisser violemment la part salariale entre 1982 et 1986 alors que les autres pays européens ont eu besoin de plus de temps.

Pour masquer cette réalité, on multiplie les arguties techniques en utilisant par exemple une autre définition de la valeur ajoutée, avec ce résultat absurde qu’une baisse des impôts payés par les entreprises ferait mécaniquement augmenter la part revenant aux salariés. On insiste sur les différences entre secteurs et l’on feint de découvrir que la part salariale est par exemple plus élevée dans la restauration que dans la chimie : grandiose découverte ! On se cache derrière les PME aux taux de marge réduits en oubliant que leur profit est capté par les donneurs d’ordre dont elles dépendent.

Tout est bon pour occulter la hausse des profits distribués sous forme de dividendes qui représentent 12,9 % de la masse salariale en 2008, contre 4,3 % en 1982. On vous explique aussitôt que 1982 est une année exceptionnelle, et l’on fait assaut d’arguments pour démontrer que l’on ne saurait toucher à ce fragile équilibre. La palme revient au Centre d’analyse stratégique (sic) qui insiste sur « la forte modération du dividend yield entre 1990 et 2007 » ce qui revient à dire qu’il est normal que les dividendes évoluent en fonction de l’extravagante explosion des cours boursiers. Guillaume Duval évoque la « faiblesse exceptionnelle des profits » en France et se demande benoîtement si c’est « vraiment le moment d’en rajouter », ouvrant ainsi de vastes horizons aux alternatives économiques. Mais si le taux de marge des entreprises n’a jamais été aussi élevé, elles investissent moins qu’avant : 19 % de leur valeur ajoutée en moyenne depuis vingt ans, contre 24 % dans les années 1960. Ce n’est donc pas le niveau des salaires qui les empêche de rattraper leur retard en matière d’innovation et de recherche-développement. S’il existe un « problème d’offre » en France, il ne provient pas de contraintes de financement dont les entreprises auraient à souffrir.

Il s’agit d’une entreprise de déconsidération de toute politique alternative dont la viabilité économique reposerait sur un dégonflement des dividendes au profit de la masse salariale. Ce transfert pourrait obéir à une « règle des trois tiers » : un tiers pour la revalorisation des salaires, un tiers pour la création d’emplois par baisse du temps de travail, un tiers pour la protection sociale. La disqualification d’un tel schéma équivaut à la défense du statu quo pour les actionnaires. Mais pourquoi un tel acharnement ? Plusieurs types de motivation y concourent sans doute chez les économistes qui dépensent une énergie peu commune pour démontrer que tout va bien dans le meilleur des mondes : servilité salariée, carriérisme, recherche perverse d’argumentations iconoclastes, fascination pour le compromis social, recyclage appliqué de leçons apprises par cœur, etc. Mais le fond politique de l’affaire est ailleurs : il existe des marges de manœuvre, que l’on ne peut mobiliser qu’en bousculant les rapports de force sociaux. M.H.

1. Les pièces de ce dossier sont en ligne à cette adresse : http://tinyurl.com/parsal

Regards n°63 été 2009

Las muy limitadas opciones de Obama

Immanuel Wallerstein

Durante las últimas semanas la atención mundial ha estado fija en Irán, donde ha habido mucho desasosiego público por las impugnadas elecciones presidenciales. Ahora queda claro que Mahmoud Ahmadinejad pronunciará su juramento como próximo mandatario de Irán con el pleno respaldo del ayatollah Ali Khamenei. El presidente Barack Obama ha estado bajo considerable presión, sobre todo por parte de las fuerzas conservadoras en Estados Unidos, que empujan a que asuma una posición más dura acerca de las elecciones iraníes.

Parece ser que al mismo tiempo ha estado recibiendo de Pekín el consejo contrario. M.K. Bhadrakumar reporta que Pekín advierte contra dejar que salga de la botella el genio de los disturbios populares en una región altamente volátil que está esperando estallar. El mal ejemplo para Pekín es Tailandia, país que no puntea en la pantalla de radar de la mayoría de los comentaristas y políticos estadunidenses.

En cualquier caso, en realidad no queda claro lo que significa asumir una posición más dura, pero sí que Obama ha insistido en ser cauteloso en sus declaraciones públicas. Tomen nota de lo que ocurrió durante este mismo periodo. El 24 de junio la Casa Blanca anunció que planea volver a tener un embajador en Siria, lo que deshace una decisión que tomara el presidente Bush hace cuatro años. Y el 25 de junio el presidente Hugo Chávez, de Venezuela, anunció que su país y Estados Unidos restaurarían sus embajadores, los mismos a quienes se declaró persona no grata en los últimos días del gobierno de Bush.

Uno se pregunta qué sintió Obama cuando leyó las transcripciones de las cintas del presidente Nixon, desclasificadas el 23 de junio. Entre otras cosas, estas grabaciones revelan una conversación que tuvo Nixon con el secretario de Estado, Henry Kissinger, el 20 de enero de 1973, en torno a un arreglo que el gobierno de Estados Unidos estaba a punto de pactar con el gobierno de Vietnam del Norte. Nixon y Kissinger veían esto como un acuerdo que les salvaba la cara y que haría posible que Estados Unidos se retirara de la guerra con honor, sabiendo que tras un intervalo decente el acuerdo daría por resultado una victoria militar para el Viet Minh.

Tenían un pequeño problema. El acuerdo lo había resistido, por obvias razones, el presidente Nguyen Van Thieu, de Vietnam del Sur. La discusión entre Nixon y Kissinger era al respecto cómo manejar esto. Kissinger dijo que el problema era si Thieu aceptaría dejarnos ratificar el acuerdo. Nixon dijo: “Dejarnos… ja, ja”. Nixon expresó entonces que Kissinger debía dejarle saber a Thieu que Estados Unidos cortaría la asistencia si se negaba a aceptar. Y continuó: “No sé si la amenaza va demasiado lejos o no, pero voy a hacer cualquier maldita cosa… (le) cortaría la cabeza si es necesario”.

Lo que sí sabe Obama es que ya no es posible para el presidente de Estados Unidos cortar las cabezas de nadie, enemigos o amigos, que lo desafíen. Ya había mostrado Obama su entendimiento de esta nueva realidad en julio de 2007, cuando respondió a un videoentrevistador durante la campaña presidencial. La pregunta fue: ¿Estaría usted dispuesto a reunirse por separado, sin condiciones previas, durante el primer año de su gobierno, en Washington o en cualquier otra parte, con los líderes de Irán, Siria, Venezuela, Cuba y Corea del Norte? Y la respuesta fue: Estaría dispuesto. De inmediato lo atacó su contrincante demócrata en las elecciones primarias, Hillary Clinton, diciendo que eso era ingenuo. Ahora, como secretaria de Estado, Hillary Clinton está llevando a cabo la promesa de Obama.

La realidad es que Obama no tiene muchas opciones. Parece no haber ningún modo práctico de poderle cortar la cabeza a Ahmadinejad, Chávez, Assad, Castro o Kim Jong-II. Tampoco son éstas las únicas cabezas que no puede cortar. Tampoco puede quitar del cargo al primer ministro de Israel, Netanyahu. Tampoco puede hacer que Hamas desaparezca de Gaza. Sarkozy, Merkel, Putin y Hu Jintao, todos parecen muy seguros en sus posiciones. De hecho, pronto se dará cuenta, si no es que ya lo sabe, de que no hay mucho que hacer acerca del primer ministro de Irak, Nouri al-Maliki, aunque sea probable que Maliki se distancie más y más de la política estadunidense.

Así que, ¿qué va hacer un pobre presidente? Puede refugiarse en la famosa frase del ex mandatario John F. Kennedy, frase que Obama ha citado más de una vez: nunca negociaremos por miedo, pero nunca tendremos miedo a negociar. Eso no significa que el presidente de Estados Unidos esté sin poderes. Simplemente significa que lo mejor que puede hacer es negociar mientras esquiva las pullas en casa.

Al final, Obama comparte la preocupación de Pekín –no dejar que salga de la botella el genio de los disturbios populares en un mundo que hoy es realmente muy volátil– y ningún gobierno está seguro de lo que vaya a ocurrir. Los gobiernos de todas las franjas pueden hacer concesiones ante los disturbios populares, pero los gobiernos de todas las franjas no están realmente dispuestos a someter sus políticas y poder a las demandas populares.

Rebelion - 13.07.09

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