À procura de textos e pretextos, e dos seus contextos.

28/05/2011

Cotadas do PSI 20 lucram 1.194 milhões no primeiro trimestre

Carlos Caldeira   

A internacionalização permitiu uma subida de 19% nos lucros das cotadas no PSI 20.
A Sonae SGPS e a Galp Energia foram as empresas do índice PSI 20 cujos resultados líquidos mais cresceram no primeiro trimestre. Mas, em volume de lucros, a liderança cabe à EDP, com 342 milhões de euros, à Galp (191 milhões), à Portugal Telecom (129,7 milhões) e ao Millennium bcp (77,7 milhões). No total, as empresas do PSI 20 somaram lucros de 1.194 milhões de euros entre 1 de Janeiro e 31 de Março deste ano, uma subida de 19% face a igual período do ano passado.

http://economico.sapo.pt/noticias/cotadas-do-psi-20-lucram-1194-milhoes-no-primeiro-trimestre_119167.html

O acentuar das desigualdades de remuneração em Portugal no sector privado


No período de mais de vinte anos entre os anos de 1985 e de 2009, as remunerações médias dos trabalhadores do sector privado em Portugal conheceram um acréscimo de 74%. Contudo, esse aumento não ocorreu de igual forma para todos os trabalhadores: os trabalhadores com as remunerações mais elevadas acumulam agora uma fatia ainda mais importante da remuneração total, enquanto os trabalhadores com remunerações intermédias viram a parte que a sua remuneração representa diminuir.

Na Figura 1 é possível observar a remuneração base média e os limiares S20 e S80 em 1985, 1989, 1995, 2000, 2005 e 2009 (os valores não dizem, portanto,  respeito a uma série temporal, mas a determinados momentos ao longo do período considerado) . Se, por um lado, a remuneração média aumentou, passando de 483 Euros para 839 Euros, por outro lado a figura chama a atenção para o aumento da distância entre o S20 e a remuneração média [1]. Enquanto no caso dos 20% de trabalhadores com as remunerações mais elevadas, o valor do limiar (S80) se manteve praticamente inalterado em relação ao valor da média (123% do valor da média em 1985; 121% em 2009), no caso dos 20% de trabalhadores com remunerações mais baixas, o valor do limiar (S20) que, em 1985 correspondia a 65% do valor da média, passou para 54% em 2009.


O Quadro 1 refere-se ao rácio S80/S20 e à proporção da remuneração total auferida pelos quintis da população trabalhadora. Em 1985 os 20% de trabalhadores com as remunerações mais elevadas detinham uma parte da remuneração 3,4 superior à dos 20% de trabalhadores com as remunerações mais baixas. Em 2009 esse rácio é de 4,2, o que significa que as desigualdades entre os que têm as remunerações mais elevadas e os que têm as remunerações mais baixas se acentuaram.

Por outro lado, o Quadro 1 permite-nos também dar conta da perda de importância das remunerações intermédias: em 1985 os trabalhadores pertencentes ao segundo quintil acumulavam 14,2% da remuneração total e os do terceiro quintil 17,6%; em 2009 essas percentagens passaram para 11,8% e 14,6%, respectivamente. Em contrapartida, os trabalhadores com as remunerações mais elevadas (quinto quintil) passaram a agregar quase 44% da remuneração total em 2009.
 

Os quadros 2 e 3 apresentam a remuneração média e respectivo desvio padrão por quintil e por ano. Por um lado, é possível constatar que foi no quinto quintil que a remuneração média mais aumentou, com uma taxa de variação de 109% entre 1985 e 2009 (de 880 Euros passou para 1.843 Euros). Por outro lado, os valores do desvio padrão dão conta da maior dispersão remuneratória existente nesse mesmo quintil. Ou seja, é entre os trabalhadores com as remunerações mais elevadas que se observa também as maiores desigualdades internas. Pelo contrário, no caso dos trabalhadores com as remunerações mais baixas (primeiro quintil), o valor do desvio padrão diminuiu, representando apenas 10 Euros em 2009.

O Quadro 2 permite também confirmar a perda salarial dos trabalhadores com remunerações intermédias: é no segundo e no terceiro quintil que a taxa de variação da remuneração média entre 1985 e 2009 é mais reduzida (44,1% e 44,3%, respectivamente).




http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&lang=pt&id=220

Comment vivent les Européens ?

C’est en Europe qu’il fait le mieux vivre au monde. Mais de grandes disparités existent entre les pays du continent.

Mesurer les inégalités de niveaux de revenus ne permet pas de décrire, concrètement, comment se traduisent les écarts dans la vie des populations. Appréhender la qualité de l’accès à des biens fondamentaux tels que la santé, le logement décent, ou encore l’éducation, nous en disent davantage. De grandes disparités existent en Europe. Les populations des anciens pays du bloc de l’Est, notamment de Roumanie et de Bulgarie, sont loin de disposer des mêmes conditions de vie que le reste du continent. Les Portugais ne sont pas toujours mieux lotis. Les populations les plus favorisées sont celles des pays du Nord de l’Europe (Suède, Finlande, Danemark).
La santé
Avec une espérance de vie à la naissance de 84,1 ans, les Françaises disposent de l’espérance de vie la plus longue. L’espérance la plus faible concerne les femmes bulgares : elle est seulement de 76,7 ans. Chez les hommes, ce sont les Italiens et les Suédois qui ont l’espérance de vie la plus élevée (78,4 ans), et les Hongrois la plus faible (69,4 ans). Le niveau de protection sociale et la qualité du système de soins n’est qu’un facteur parmi d’autres de ces écarts. La durée et les conditions de travail jouent un rôle majeur en termes de durée de vie. Le type d’alimentation, la consommation d’alcool et de tabac ou la part des comportements à risque sont d’autres facteurs à prendre en considération.
Espérance de vie à la naissance
Unité : années

FemmesHommes
France84,177,1
Espagne83,877,5
Italie83,778,4
Autriche82,577,1
Finlande82,575,7
Suède82,578,4
Allemagne81,976,9
Belgique81,876,2
Pays-Bas81,777,7
Union européenne81,775,7
Portugal81,775,5
Irlande81,676,9
Grèce81,576,9
Royaume-Uni81,277,2
Danemark80,375,8
Pologne79,470,7
Hongrie77,669,4
Roumanie7769,6
Bulgarie76,769,5
Source : Eurostat. Année des données : 2008
- Pour en savoir plus : Qui vit le plus longtemps en Europe ?
Le logement
17,8 % des Européens sont en situation de surpeuplement [1], et 15,9 % affirment vivre dans un logement inconfortable [2]. Par ailleurs, 9,2 % connaissent des difficultés à chauffer leur logement, tandis que 3,9 % ne disposent pas de sanitaires à leur domicile. Les populations des pays de l’Est sont loin de bénéficier des mêmes conditions de logement que les autres. En revanche, les autres populations ont dans l’ensemble des conditions de vie relativement similaires. Le taux de surpeuplement atteint 55 % en Hongrie et en Roumanie, et est de peu inférieur à 50 % en Bulgarie ou en Pologne. Les populations de l’Est ont également beaucoup plus de difficultés à chauffer leur logement, et elles sont moins nombreuses à avoir des sanitaires.
La qualité du logement en Europe
Part de la population totale
Unité : %

Fuites dans la toiture, murs/sols/fondations humides, pourriture dans l'encadrement des fenêtres ou le solSituation de surpeuplementIncapacité à maintenir une température adéquate dans le logementNe possédant ni baignoire ni douche ni toilettes dans leur logement
Allemagne1475,50,1
Autriche15,313,22,90,5
Belgique15,23,95,10,3
Bulgarie23,94764,214,9
Danemark7,87,81,50
Espagne17,63,26,20
Finlande4,95,91,30,4
France12,69,65,50,4
Grèce17,62515,71
Hongrie14,5558,93,9
Irlande13,23,74,10,2
Italie20,523,310,60,1
Pays-Bas14,21,71,30
Pologne17,649,116,34,5
Portugal19,714,128,52,2
Roumanie2255,32240,9
Royaume-Uni14,67,25,80
Suède6,610,51,40





Union européenne15,917,89,23,9
Source : Eurostat. Année des données : 2009
- Pour en savoir plus : Les conditions de logement en Europe
L’éducation
20 % des Européens ont des compétences jugées insuffisantes en lecture. Mais des écarts considérables existent, illustrant des disparités dans l’accès à l’éducation. Alors qu’en Finlande, seule 8,1 % de la population a des difficultés en lecture, le taux est de 41 % en Bulgarie. Il est de 40,1 % en Roumanie.
Ratio de personnes ayant des compétences insuffisantes en lecture en Europe
Unité : %

Finlande8,1
Pays-Bas14,3
Pologne15
Danemark15,2
Irlande17,2
Suède17,4
Hongrie17,6
Portugal17,6
Belgique17,7
Royaume-Uni18,4
Allemagne18,5
Espagne19,6
France19,8
Union européenne20
Italie21
Grèce21,3
Autriche27,5
Roumanie40,4
Bulgarie41
Source : OCDE (Enquête PISA). Année des données : 2009
Par ailleurs, 14,4 % des Européens de 18 – 24 ans ont quitté prématurément leur études en 2009 : ils ont arrêté leurs études sans le diplôme sanctionnant le parcours scolaire qu’ils poursuivaient. Dans la mesure où les systèmes scolaires ne sont pas les mêmes en Europe, il est délicat de faire des comparaisons. On constate toutefois que les taux d’abandon scolaire les plus élevés sont en Espagne et au Portugal, où 31,2 % des jeunes de 18 à 24 ans ont abandonné leurs études. A l’inverse, ils ne sont que 5,3 % en Pologne.
L’abandon scolaire précoce en Europe
Unité : %

Pologne5,3
Autriche8,7
Finlande9,9
Danemark10,6
Suède10,7
Pays-Bas10,9
Belgique11,1
Allemagne11,1
Hongrie11,2
Irlande11,3
France12,3
Union européenne14,4
Grèce14,5
Bulgarie14,7
Royaume-Uni15,7
Roumanie16,6
Italie19,2
Espagne31,2
Portugal31,2
Source : Eurostat. Année des données : 2009
Alimentation et loisirs
8,7 % des Européens déclarent ne pas pouvoir manger de viande ou de poisson un jour sur deux, 36,8 % ne peuvent partir une semaine en vacances, et 8,8 % ont des retards dans leurs factures en raison de difficultés de paiement. Mais là encore, l’écart est important entre les populations de l’Est de l’Europe et les autres. 36,9 % des Bulgares ne peuvent pas manger de la viande ou du poisson un jour sur deux, contre 1,5 % des Danois. 75,6 % des Roumains affirment ne pas pouvoir prendre de vacances loin de leur domicile, contre 10,9 % des Suédois. Enfin, 32,1 % des Bulgares doivent face à des arriérés de factures. Ils sont 2,1 % aux Pays-Bas.
La pauvreté à travers les conditions de vie en Europe
Unité : %

Arriérés de factures courantes (gaz, électricité, eau)Incapacité à se payer une semaine de vacances annuelle loin du domicileIncapacité à s'offrir un repas comportant de la viande ou du poisson (ou équivalent végétarien) un jour sur deux
Allemagne3,624,49,3
Autriche4,224,610,1
Belgique5,926,34,6
Bulgarie32,159,836,9
Danemark2,611,41,5
Espagne5,539,51,6
Finlande7,514,82,5
France7,530,97
Grèce18,946,37,6
Hongrie20,765,926,5
Irlande11,238,82,1
Italie11416,2
Pays-Bas2,113,21,6
Pologne12,561,217,1
Portugal6,163,34,4
Roumanie25,275,623,5
Royaume-Uni4,7*26,14
Suède4,710,92,2




Union européenne8,836,88,7
* Données 2008
Source : Eurostat. Année des données : 2009

En Europe, des conditions de vie meilleures que dans le reste du monde

Les Européens bénéficient des meilleures conditions de vie au monde, avec l’Amérique du Nord [3]. Les populations de l’Union européenne sont celles qui vivent le plus longtemps en moyenne (77 ans pour les hommes et 83 pour les femmes), juste devant celles d’Amérique du Nord (76 ans pour les hommes et 81 ans pour les femmes). De même, le taux de mortalité infantile y est le plus faible (4 décès pour 1 000 naissances), et la question de l’accès à l’eau potable ou de la sous-alimentation ne constituent plus un problème pour la quasi-totalité de sa population. Par ailleurs, le fossé est toujours très important entre l’Europe, l’Amérique du Nord et le reste du monde : en moyenne, le taux de mortalité infantile grimpe à 21 ‰ en Asie de l’Est et Pacifique, pour atteindre 83 ‰ en Afrique subsaharienne. Dans cette dernière région, l’espérance de vie des hommes et des femmes est respectivement de 51 et 53 ans, tandis que 40 % de la population n’a pas accès à l’eau courante.
Ces écarts s’expliquent par de multiples facteurs, qui vont des conditions d’hygiène aux conditions d’alimentation ou de travail en passant par l’accès aux soins. En outre, les populations européennes bénéficient pour la plupart de systèmes de santé performants, ce qui est loin d’être le cas dans de nombreux autres pays du monde.

- Pour en savoir plus :
Les conditions de vie dans le monde : des inégalités qui se réduisent

[1] Les individus du ménage sont considérés comme vivant dans une situation de surpeuplement si leur logement ne comporte pas un nombre minimal de pièces : une pour le ménage, une pour chaque couple, une pièce pour les célibataires de 18 ans et plus, et selon les cas une pièce pour deux personnes du même sexe si elles ont entre 12 et 17 ans, une pièce par personne de sexe différent entre 12 et 17 ans, une pièce pour deux personnes de moins de 12 ans.
[2] Pour Eurostat, un logement inconfortable est un logement qui a soit des fuites dans la toiture, soit des murs, sols ou fondations humides, soit de la pourriture dans l’encadrement des fenêtres ou au sol.
[3] Toutes les données qui suivent sont issues du World Bank Indicators, et concernent l’année 2008.

http://www.inegalites.fr/spip.php?article1428&id_mot=150

Baisse de l’impôt de solidarité sur la fortune : qui va y gagner ?

La baisse des taux de l’impôt sur la fortune (ISF) réduit par quatre l’impôt des plus fortunés pour un coût total de 1,8 milliard d’euros, l’équivalent du financement de 70 000 emplois dans les services publics. Une analyse de Noam Leandri de l’Observatoire des inégalités.

Aujourd’hui : qui paie l’impôt de solidarité sur la fortune ?
L’impôt de solidarité sur la fortune (ISF) est un impôt sur le patrimoine [1]. Il touche les personnes dont la fortune dépasse 800 000 euros, soit près de 600 000 contribuables. De nombreux biens habituellement considérés comme faisant partie du patrimoine ne sont pas taxés, comme les œuvres d’art ou les biens professionnels. Un abattement de 30 % est appliqué pour la résidence principale : il faut donc que la valeur de cette dernière dépasse 1,14 million [2] pour être imposée à l’ISF.
La moitié des contribuables assujettis à l’ISF ont un patrimoine situé entre 0,8 et 1,3 million d’euros. Du fait de la hausse des prix de l’immobilier, le nombre de redevables a presque triplé en 10 ans. Mais ce n’est pas le seul facteur : les actifs financiers (actions, obligations) ont eux aussi augmenté en dépit de la crise financière [3].
L’ISF est un impôt dit « progressif » : le taux d’imposition augmente avec l’assiette [4] taxée, en l’occurrence le patrimoine. Ainsi, par exemple, un ménage possédant deux millions d’euros ne paiera rien sur les 800 000 premiers euros puis 0,55 % entre 0,8 et 1,3 million et enfin 0,75 % sur la partie supérieure à 1,3 million, soit un ISF total de 8 000 euros.
L'impôt de solidarité sur la fortune (ISF) aujourd'hui

Barème 2011
en %
Nombre de foyers redevables
2008
en %Montant collecté
en millions d’euros / 2008
en %ISF payé moyen
en euros / 2008
Tranche de patrimoine (en millions d'euros)





0,8 et 1,310,55%280 72350%3088%1 097
1,31 et 2,570,75%215 79338%1 03427%4 792
2,57 et 4,041,00%42 5378%56415%13 259
4,04 et 7,711,30%19 4173%57515%29 613
7,71 et 16,791,65%5 5761%50713%90 925
supérieur à 16,791,80%1 9200,3%82222%428 125
Total
565 966100%3 810100%6 732
Source : Rapport sur le projet de loi de finances pour 2010 (n° 1946), par Gilles Carrez, député, Assemblée nationale, 14 octobre 2009.
Comme le patrimoine, le montant de l’ISF collecté est inégalement réparti : les 2 000 foyers les plus riches, 0,3 % des contribuables, s’acquittent de 22 % du montant total collecté. Le montant moyen acquitté par ces très riches ménages – ils ont au minimum 17 millions d’euros de patrimoine - avoisine 500 000 euros par an, alors que les contribuables de la première tranche de l’impôt sur la fortune paient en moyenne 1 100 euros par an.
Demain : la réforme de l’ISF réduit par quatre l’impôt des plus fortunés
Le gouvernement a annoncé dans la loi de finances rectificative pour 2011 une réduction et une simplification du barème de l’ISF. Tout d’abord, il va supprimer la première tranche d’imposition sur les patrimoines compris entre 800 000 et 1,3 million d’euros. Le nombre de contribuables sera diminué de moitié et le montant collecté baissera de 8 % : cette seule mesure représente une perte de recettes de 308 millions d’euros pour le budget de l’Etat, pour un coût total de la réforme qui atteint 1,8 milliard d’euros en année pleine.
Ensuite, il n’y aura plus que deux tranches et le taux sera uniforme sur l’ensemble du patrimoine : 0,25 % entre 1,3 et 3 millions d’euros et 0,5 % au-delà. Les taux seront donc réduits, mais ils s’appliqueront au premier euro de patrimoine et non sur la partie du patrimoine supérieure à 800 000 euros comme précédemment. En l’état actuel du texte, ces modifications vont créer des effets de seuils importants : dès lors qu’un patrimoine dépassera de un euro les seuils de 1,3 et de 3 millions d’euros, le taux d’imposition passera de 0 à 3 250 euros puis à la seconde tranche du simple au double.
Pour reprendre l’exemple précédent, le ménage dont la fortune s’élève à un million d’euros après abattements ne paiera plus rien… Celui qui dispose de trois millions d’euros paiera 0,25 % sur tout son patrimoine (et non plus de 0,55% à 1% sur la partie supérieure à 800 000 euros) soit 5 000 euros. Auparavant il en payait 8 000, le gain pour lui n’est pas énorme, mais c’est tout de même un trimestre de travail d’une personne au Smic. Pour les très riches, le gain est encore plus massif. Comme les premières tranches sont négligeables, leur taux d’imposition maximum passe de 1,8 % à 0,5 %. Un foyer riche de 20 millions d’euros gagnera 182 000 euros d’impôts par an. Pour toucher une telle somme, un salarié au Smic doit travailler 15 ans, un titulaire du RSA lui doit attendre 33 années. Le gain pour une fortune de 100 millions d’euros représente 1,2 million soit un siècle de Smic.
Gain de la réforme de l'ISF par niveau de patrimoine

Ancien ISF
en euros
Nouvel ISF
en euros
Gain
en euros
Patrimoine


1 million d’euros1 10001 100
2 millions d’euros8 00050003 000
5 millions d’euros39 30025 00014 300
10 millions d’euros112 30050 00062 300
20 millions d’euros282 300100 000182 300
100 millions d’euros1 722 300500 0001 222 300
Source : Observatoire des inégalités. Année des données : 2011
L’impact de la réforme de l’ISF sur les 10 plus grandes fortunes professionnelles en France

SociétéPatrimoine
en milliards d’euros
ISF théorique
en millions d’euros
Nouvel ISF
en millions d’euros
Bernard ArnaultLVMH22,7409114
Gérard MulliezGroupe Auchan1934295
Liliane BettencourtL'Oréal14,425972
Bertrand PuechHermès International8,515343
Louis-DreyfusLouis-Dreyfus8,515343
Serge DassaultGroupe industriel Serge Dassault6,812234
François PinaultPPR6,211231
Alain WertheimerChanel4,58123
Jacques ServierLaboratoires Servier3,86819
Jean-Claude DecauxJCDecaux3,25816
Ces calculs sont largement théoriques puisque l' "outil professionnel" est exonéré d'ISF et que de nombreux montages fiscaux permettent d'échapper à l’impôt.
Source : magazine Challenges. Calculs de l'Observatoire des inégalités. Année des données : 2010

 




Les contreparties : la suppression du bouclier fiscal et la hausse des droits de succession

Cette réduction d’ISF représente 1,8 milliard d’euros de manque à gagner pour le budget de l’Etat chaque année. De nouvelles recettes sont donc prévues en contrepartie. D’abord, la suppression du bouclier fiscal économisera 293 millions d’euros de restitutions d’impôts en 2012 - et à terme 700 millions d’euros. Ce dispositif limitait l’imposition d’un foyer à 50 % de son revenu annuel depuis 2007. Cette mesure était très décriée (voir notre article Qui profite du bouclier fiscal ?) car elle protégeait ses bénéficiaires de tout nouvel effort fiscal. Elle revenait à supprimer l’ISF pour les ménages riches en patrimoine qui parvenaient à afficher par des mécanismes complexes un faible revenu annuel, à l’instar de la fille du milliardaire François Pinault qui a perçu un RMI entre 1999 et 2005 alors qu’elle payait l’ISF. De plus, les droits de succession sur les patrimoines élevés seront augmentés et il y aura moins d’abattements sur les donations de son vivant. Soit une recette totale sur les successions d’environ un milliard d’euros d’après le gouvernement.
Au bout du compte, le cadeau fiscal est considérable pour les très grandes fortunes. Pour donner un ordre de grandeur, le coût de la mesure équivaut à un dixième du budget des écoles primaires en 2011, au montant des bourses versées à 600 000 étudiants, ou encore 70 000 emplois publics. L’Etat récupère ses recettes de deux façons. La suppression du bouclier fiscal pèsera sur ceux qui arrivaient à minimiser leurs revenus ou les contribuables disposant d’une fortune très élevée relativement à leurs revenus, au nombre de 10 700 d’après Le Monde.fr (23-05-11). La hausse des droits de succession sera supportée par les héritiers les plus riches.
En savoir plus :
- Rapport sur le projet de loi de finances pour 2010 (n°1946) de Gilles Carrez, rapporteur général, député - Assemblée nationale - 14 octobre 2009.

[1] Le patrimoine est constitué des biens monétaires durables (immeubles, actions, obligations, etc.) détenus par les ménages, il ne comprend pas les revenus.
[2] Car 1,14 million moins 30 % = 800 000 euros.
[4] La base qui sert de calcul aux services des impôts.

http://www.inegalites.fr/spip.php?article1441

La formation en Europe


9,3 % des Européens âgés de 25 à 64 ans ont suivi une formation professionnelle en 2009, selon Eurostat (lire en ligne). Les femmes sont plus nombreuses à se former que les hommes (10,2 % contre 8,5 %).
Les populations du Nord de l’Europe sont celles qui se forment le plus au cours de leur vie active. 31,6 % des Danois ont participé à une formation au cours de l’année, et un peu plus de 22 % des Finlandais et des Suédois. Avec 20 % de taux de participation, le Royaume-Uni n’est pas loin derrière. La "deuxième chance" est bien plus rare en France, où seulement 6 % des adultes ont suivi une formation. Les Roumains et les Bulgares affichent le taux le plus faible, respectivement 1,4 et 1,5 %.
CR

http://www.inegalites.fr/spip.php?page=la_breve&id_breve=781

Les outils contemporains de l’aliénation du travail

Jean-Pierre Durand 

Jean-Pierre Durand « Les outils contemporains de l'aliénation du travail », Actuel Marx 1/2006 (n° 39), p. 107-122.
URL :
www.cairn.info/revue-actuel-marx-2006-1-page-107.htm.
DOI : 10.3917/amx.039.0107.

Les jeunes Espagnols émigrent vers l’Argentine pour échapper à la crise.

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Environ 1.200 jeunes Espagnols émigrent chaque mois vers l’Argentine à la recherche du travail que leur refuse la crise économique de l’Espagne, dans un nouveau renversement des flux migratoires entre les deux nations, selon un rapport publié aujourd’hui par la presse espagnole.
Attirés par l’identité idiomatique et culturelle et surtout par la croissance de l’Argentine au cours des dernières années, 33.543 Espagnols sont arrivés en Argentine à la recherche de la prospérité depuis l’explosion de la crise financière internationale, en 2008, comme l’a expliqué le quotidien madrilène Público [Lire : La crise envoie des milliers de jeunes en Argentine.]
« D’une part nous perdons des gens très qualifiés parce que dehors ils trouvent de meilleures conditions et ils se sentent plus valorisés », a expliqué au journal Marta López-Tappero, du département de Mobilité Internationale de société de conseil Adecco.
D’autre part, la nouvelle situation oblige les Espagnols à donner à leur vie et à leurs projets un caractère plus cosmopolite, à apprendre des langues et à valoriser davantage leur expérience professionnelle et de vie, selon la représentante de la société de conseil.
L’Argentine est de loin le principal lieu de destination de ces jeunes émigrants, comme l’ont fait les deux millions d’espagnols qui sont arrivés en Argentine à la fin du XIXe siècle et au début du XXème et en sens inverse des milliers d’argentins qui sont partis en Espagne pendant la dernière dictature et la crise de 2001 et 2002.
« Il y a un grand nombre de demandeurs d’emploi en l’Amérique Latine, parce que les jeunes sont plus ouverts à partir plus loin et à vivre dans une autre culture », a indiqué López Tappero.
« Au sein de cette région, les pays où l’on voit le plus de perspective de travail sont l’Argentine et le Brésil, mais comme dans ce dernier pays on parle portugais, c’est l’Argentine qui gagne pour une question de proximité linguistique, pour ses habitudes, qui sont semblables à celles des Européens, et parce que c’est une nation qui a beaucoup remonté au cours des dernières années », signale la porte-parole d’Adecco.
Nombre des émigrants en Argentine sont des argentins avec la nationalité espagnole, qui vivaient en Espagne et qui préfèrent revenir maintenant dans leur pays natal pour échapper au 20 % de chômage et à l’ajustement appliqué par le gouvernement pour réduire son déficit éviter une crise financière comme celle de la Grèce ou de l’Irlande, explique Publico.
Selon le Ministère de l’Immigration et de l’Émigration espagnole, sur les quasi 1.400.000 résidants qui se trouvent à l’étranger, 22 % (305.746 personnes) ont décidé d’émigrer en Argentine.
Bien derrière se trouvent d’autres pays de grande tradition migratoire espagnole, comme la France, le Venezuela ou l’Allemagne (6,14 % ; 85.284 personnes), selon le Ministère du Travail et de l’Immigration.
Traduction de l’espagnol pour El Correo de : Estelle et Carlos Debiasi

http://www.elcorreo.eu.org/?Les-jeunes-Espagnols-emigrent-vers-l-Argentine-pour-echapper-a&lang=fr

L’Europe contre le monde

Pepe Escobar

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Les européens ne permettent pas le FMI de se « réformer » a point d’être dirigé par le monde émergeant.
Et le procès du siècle ne sera pas après tout celui d’Oussama Ben Laden.
Il opposera d’une part « Ophélia », une immigrante musulmane d’Afrique de l’Ouest ax Etats-Unis, veuve de 32 ans qui nourrit sa fille adolescente en travaillant comme femme de chambre dans un hôtel cinq étoiles de Manhattan.
Et d’autres parts, Dominique Strauss-Kahn (DSK), un français de 62 ans, ex-chef du Fonds Monétaire International [FMI), un ex-vainqueur virtuel des élections présidentielles françaises de 2012 et ex-poids lourd du capitalisme avancé.
Il s’agit d’une métaphore de l’actuelle guerre civile inhérente au capitalisme avancé ou – en réalité – de la vie comme nous la connaissons, où le pouvoir a usuellement raison et où la démocratie est réduite à une mascarade.
Au cours des derniers jours , il fut possible de croire à l’idée selon laquelle l’histoire permettrait une sorte de justice poétique dans la forme duquel le FMI – grâce à une travailleuse africaine musulmane – puisse être dirigé par un technocrate du monde émergeant au lieu que FMI nomme encore un des mêmes anciens visages européen.
Cela ne semble déjà ne plus être le cas.

Les affreuses sœurs

Tous, à Washington et au delà, savent que les « affreuses sœurs » : le FMI et la Banque Mondiale (BM), ont été conçues comme un instrument pour que l’Occident établisse la loi pour les marchés émergents- tout le processus repose sur un supposé matelas de velours « neutre » ou « multilatéral ».
Les nombreux économistes qui ont travaillé pour les affreuses soeurs pendant les dernières décennies ont fini à de postes de haut niveau– des ministères aux Banques Centrales – dans tout le Moyen-Orient, en Asie et en Amérique Latine. Cela explique – parmi d’autres absurdités – pourquoi ils ont toujours insisté pour investir les réserves de leurs pays dans des dettes émises par les Etats-Unis ou des nations de l’Union Européenne. Eh bien, parce que c’est « sûr ».
Au même moment, tous ont avalé la fiction dont selon laquelle le FMI était un « associé crédible » pour leurs gouvernements. Mais, il le n’était pas ; le seul « associé crédible » du FMI a toujours été le Trésor des Etats-Unis.
Avant la crise financière globale de 2008 provoquée par Wall Street, la crédibilité du FMI était risible. Pas seulement à cause de la façon dont il avait géré la crise financière asiatique de 1997-1998, détruisant quasiment des économies entières, de la Thaïlande à l’Indonésie, avec son terrifiant ajustement structurel qui ne fait pas de distinctions. Pas seulement à cause de la façon dont il a traité le Brésil et la Russie. Et pas seulement parce qu’il a fait tout son possible pour détruire l’Argentine après que celle-ci ait été en défaut de paiement à la fin 2001.
C’est dans cette étendue politique dévastée que DSK- un économiste, avocat et négociateur super intelligent- a commencé à se distinguer. Il a profité tout de suite pour commencer la discussion sur la crise de 2008 au sein du G20 au lieu du G8 et ainsi a inclus les puissantes voix des marchés émergents.
En 2010 il a même convaincu les Européens du FMI de partager certains de ces obscurs quotas de droits de vote avec les économies émergentes. Et ne parlons pas de partialité. Les Etats-Unis n’ont pas moins de 16,8 % des droits de vote ; l’Europe un impressionnant 35,6 %. L’Allemagne, le Royaume-Uni et la France, à eux trois, ont plus de 15,5 %. La Chine a seulement 3,6 %. Le Brésil qui représente à neuf pays sud-américains a seulement 1,3 %.
Quand quelqu’un aussi indubitablement progressiste que le Prix Nobel Joseph Stiglitz, loue ton travail, tu sais que le FMI est réellement en train de changer. Sitglitz n’a pas tardé à reconnaître que DSK essayait de mettre d’implanter un nouveau modèle, moins axé sur les privatisations à la manière du Far West et la main dure contre les syndicats.
C’est comme si le FMI avait vu soudain la lumière, à la manière des Blues Brothers, et se trouvait désormais sr la route de la redistribution de la richesse ; dans l’analyse de Stiglitz : « renforcement de la négociation collective … refonte des politiques fiscales et de dépenses pour stimuler l’économie à travers des investissements à long terme, et l’introduction de politiques sociales qui assurent une chance pour tous ».
Il n’est pas étonnant que ce que DSK essayait de faire n’a pas vraiment plu aux élites financières occidentales. S Une semaine seulement avant sa spectaculaire chute, possiblement auto infligée, il a déclaré à l’Université George Washington : « le pendule oscillera du marché à l’État » et a demandé rapidement « une nouvelle forme de globalisation pour empêcher que la ‘main invisible’ des marchés faiblement réglés devienne un ‘poing invisible’ ».

Les banquiers gagnent encore

La majorité des français sont sûrs que DSK a été piégé. C’est quelque chose que les français ont à résoudre sur leur divan collectif. Quoiqu’il soit arrivé dans le suite du Sofitel proche de Times Square, le fait est que le dirigeant post-DSK du FMI (avec un salaire annuel de 521.000 dollars plus des incommensurables prestations), ne sera , sans aucune doute, pas révolutionnaire.
La chancelière allemande Angela Merkel, le néo-napoléonien président français Nicolas Sarkozy, le Premier ministre italien Silvio « bunga-bunga » Berlusconi et le président de la Commission Européenne (CE) José Manuel Barroso se sont hâtés de souligner que le prochain chef du FMI devrait être Européen. Beaucoup l’ont justifié en invoquant sans honte les actuelles règles tordues, après tout, l’Union Européenne est le plus grand « contributeur ».
Il est essentiel de remarquer que tous ceux qui en font l’apologie se trouve entre conservateurs et ultraconservateurs. Et peu leur importe les pays émergeants ; la priorité ce sont « les paquets » pour des économies européennes souffrantes comme la Grèce et le Portugal ; c’est-à-dire, comment rembourser les grandes banques européennes au détriment des travailleurs locaux.
Et peu importe que la Chine ait insisté pour que le nouveau dirigeant soit originaire des pays émergents. Et peu importe qu’il y ait de nombreux candidats compétents, depuis le Turc Kemal Dervis au Sud-Africain Trevor Manuel, du Mexicain Agustín Carsten à l’indien Montek Singh Ahluwalia.
Pour finir cela pourrait être finalement Christine Lagarde, 55 ans, encore une fois la France (qui a dirigé le FMI pendant 26 des 33 dernières années). Une autre métaphore splendide : une européenne qui essaie de freiner la décadence vertigineuse de l’Europe après que la Grèce ait menacé d’abandonner l’euro assiégé et a eu à être raisonné, par la force, par les puissantes banques européennes qui lui ont prêté ces euros.
Eh bien, au moins cette fois, ce serait une femme, une ex-championne de natation synchronisée, avec un penchant pour les élégants Tailleurs Chanel ; une ex dirigeante du cabinet d’avocats Baker Mackenzie de Chicago ; l’ex-Meilleur Ministre des Finances en Europe en 2009, selon le Financial Times ; et surtout, quelqu’un en qui Washington et Wall Street ont confiance pour ne pas présenter des idées « exotiques » de redistribution de richesse.
* Pepe Escobar est correspondant de l’Asie Times.
Pepe Escobar es autor de « Globalistan : How the Globalized World is Dissolving into Liquid War » (Nimble Books, 2007) y « Red Zone Blues : a snapshot of Baghdad during the surge ». Su último libro es « Obama does Globalistan » (Nimble Books, 2009). Puede contactarse con él en : pepeasia@yahoo.com.
Al-Jazeera. Qatar, Doha, le 21 mai 2011.
Traduit de l’anglais pour El Correo par : Estelle et Carlos Debiasi

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